desejo

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tem dias que bate aquele desejo
fugas
efêmero
de ter mais
que um sorriso
um olhar
um suspiro
um beijo

tem dias que bate aquele desejo
de sentir o vento bater no rosto
de fugir
sem olhar para trás
cortar as raízes
que me fincam no chão
virar pássaro
e voar

tem dias que bate aquele desejo
de desistir de tudo
começar de novo
e de novo
até encontrar
as respostas que não existem

tem dias que bate aquele desejo
de abandonar as angústias
que não vão embora
aceitar
quem sou
ou não sei
que sou

tem dias que bate aquele desejo
de desistir de todos os desejos
e aceitar
a cerca branca
e tudo aquilo que renego

tem dias que bate
aquele
desejo
bate e volta
e vai
embora
até não sentir mais

porque tem uma coisa com desejos
que todo mundo esquece de contar

eles passam.

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Moi non plus

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Eu queria escrever sobre você, mas não existe mais você.

Não existe mais o quarto escuro, as visitas no meio da noite, o moletom quentinho, o arraial com tucupi, a noite do oscar, você contando minhas pintinhas, os atrasos constantes, as fugas, os medos, as inseguranças, os sushis, as conversas no carro, as idas ao karaoke, você cuidando da minha bebedeira de tequila, os beijos escondidos, as mensagens no whatsapp, o filme da Anne Frank, você me aquecendo no frio, a camisa amarela, os encontros no corredor, as conversas intermináveis, a carta que eu te dei, a surpresa que você me fez.

Não existe mais você.

A festa no Peru, o seu olhar atrás da bateria, você sentando o meu lado, o sotaque no meu ouvido, vamos alí rapidinho, o beijo no frio, como aqui é frio, você quer ir para o meu apartamento? Você é doida sabia? A conversa sobre os exs, você broxando na primeira vez, o calor no meio da noite, dormir de conchinha.

Não existe mais você.

A briga no corredor da UFAC, você chegando bêbada no meio da noite, as traições, as mentiras, os beijos de bom dia, as idas para Porto Velho, os encontros escondidos, as conversas no telefone, o dia no cinema, os e-mails de amor, as promessas que nunca aconteceram, as raivas, as mágoas, os desrespeitos, as noites no hospital, os dias que você me fez chorar, a crise de gastrite.

Não existe mais você.

As noites que dormi na sua casa, as brigas no seu quarto, as tardes conversando no corredor da UFAC, os poemas que nunca te enviei, a forma como você me beijava o rosto, as surpresas que você fazia, a sua inconstância, você segurando minha mão, o ciúme que você não admitia, as fofocas que não eram verdadeiras, as coisas que você me escondia.

Não existe mais você.

A festa a fantasia, os telefones trocados, nós duas em uma cama de solteiro, o filme que nunca terminamos de ver, o encontro com os amigos, as primeiras impressões, o medo, a fuga, o encontro por acaso, o beijo por vingança, a forma como te tratei, desculpa.

Não existe mais você.

O beijo com sabor de açaí, o dia na piscina, as horas esperando, os desabafos, os telefones que vocês não atendeu, as conversas sem beijos, o fim que nunca teve, a tarde na beira do rio, as lágrimas no restaurante, a festa junina, o livro que você me emprestou, a expoacre, o beijo roubado, os e-mails trocados, o começo de tudo. Tudo mesmo.

Não existe mais você.

Só existe eu.

Tem dias que são assim

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Existem dias que a gente se sente perdida. Existem anos que a gente também se sente assim. Anos. Meses. Vários dias. Muitos altos e baixos. Bons altos. Péssimos baixos. E sempre a mesma vontade de se encontrar. Aí a gente larga o emprego, faz um mapa astral, muda pro outro lado do país, conhece pessoas novas, vai jantar sozinha em uma pizzaria, vai ao cinema sozinha, vai a uma penca de festas e shows sozinha. Encontra alguns poucos amigos que te fazem sentir em casa. Tenta. Falha. Tenta de novo. Falha novamente. Procura novos sonhos, que mudam pra outros, que viram projetos, que não dão certo. Falha de novo. Chora porque não aguenta mais falhar e errar e não saber exatamente o que tá fazendo da vida. Aí fica doente, mas não consegue a cirurgia no SUS, beija umas bocas, se despede de bons amigos, quebra um celular, ganha um pouco de dinheiro como atendente de lanchonete duas vezes por semana, viaja com quase nenhum dinheiro, vai na praia, se sente feliz, abraça a amiga, vai no karaoke, faz um curso, compra um novo celular, tenta de novo, falha de novo, vai mal em uma entrevista de emprego, quebra o pé, volta para casa e tenta se reencontrar, só pra descobrir que o que tá procurando não tá aqui. Ou tá, mas você que ainda não sabe direito o que tá procurando. Deus, eu só queria saber o que eu quero. Aí a gente pensa no passado, na menina que tirava foto de flor, brincava com o cachorro, passava horas escrevendo fanfics, fazia jornal de mentira e escrevia livros sobre samurais, sacerdotisas suicidas, vampiros e bruxas. Descobre que quer contar histórias, mas que o mundo não está interessado em ouvir. Ou talvez seja você, que não sabe contar boas histórias. Aí chora mais um pouco, porque continua sem saber o que quer fazer da vida. Pensa em montar um empresa, mas desiste. Pensa em ficar, mas quer ir. Pensa em fazer um roteiro, mas não dá certo. Consegue um freela, mas o computador quebra. Vê os amigos, fica entediado em festas ruins, sente saudade da época que estava perdido em outro lugar, tenta criar, acha que tudo o que escreve é uma merda, brinca com o irmão mais novo, se emociona em casamentos, se sente perdida mais uma vez, chora de novo, faz projetos, se estressa com projetos, trabalha nos projetos, se sente frustrada com o projeto, chora mais um pouco, sente saudade, sente vontade de viajar, olha pra conta no banco vazia e sente tristeza, olha pras pessoas em volta cheias de certeza e fotos bonitas no instagram, não tem foto pra colocar no instagram, lê alguns livros, pensa em novos projetos, procura ajuda, desiste de planos, sente medo, desiste de novo, de que adianta tentar isso se eu vou falhar? Fica olhando passagens, fica com preguiça, trabalha, não ganha dinheiro, não tem carreira, não vê perspectivas, fica triste de novo, passa o dia inteiro deitada na cama chorando, levanta, acorda cedo e passa o dia trabalhando, vai em reunião, escreve textos, trabalha mais um pouco, come brigadeiro e pensa: o que eu tô fazendo com a minha vida? Existem dias que a gente se sente pedida, às vezes, dura anos. Às vezes uma vida inteira.

Cada pedaço em um lugar

Quando decidi sair do Acre para morar em outro estado, sabia que essa seria uma experiência desafiadora e que iria modificar minha vida, eu só não fazia ideia de quanto. Depois de dois anos morando em Belo Horizonte, aprendi coisa novas em relação ao mundo a minha volta, porém, o mais importante, foi o quanto aprendi sobre mim mesma.

Descobri que a saudade é uma coisa intensa, mas o ser humano aprende a viver sem os seus pilares. Os amigos fazem falta nos momentos mais corriqueiros: uma festa legal, um filme que você assiste, uma programação interessante que sua melhor amiga iria adorar. Mas as tecnologias ajudam e você sobrevive. A família faz falta nos dias difíceis, nos almoços de domingo e em todas as datas comemorativas. Dói demais. Dói mais do que você achou que poderia suportar. A tecnologia não é o suficiente, as fotos não são o suficiente, nada é. Mas você sobrevive.

Você descobre uma força que não pensou que estava lá. Seca suas lágrimas sozinha e não conta para ninguém (qual o ponto?). Conhece o lado bonito e triste da solidão. Descobre como é jantar sozinha em um restaurante, ir ao cinema com você mesma, como é legal não ter companhia para ir comprar roupas e quantas coisas incríveis uma festa pode proporcionar quando você decide ir sem ninguém. Você também percebe o quanto é chato não ter com quem ir naquele show, como dá trabalho sair praquela festa sem amigos ou como é insuportável estar em um lugar onde todos se conhecem e você não tem ninguém. Também descobre seu estilo, sua essência e sua identidade de uma forma que você nunca tinha parado antes para pensar. Ah, então essa sou eu?

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Mas você conhece pessoas e começa a criar memórias com elas. Como assoprar suas velas de aniversário em um pote de brigadeiro, cantar karaokê com seu melhor amigo no sábado a noite ou como você adorava o intervalo das aulas para bater papo com seus amigos. Quando vê, está repleta de pequenas lembranças nos lugares que visita. Aquele ambiente começa a se tornar corriqueiro, apesar de você ainda parar no meio da avenida, olhar para os prédios em volta e se perguntar se realmente está ali. Naquele lugar. Tem horas que você nem mesmo acredita, mesmo que já tenha passado por ali umas trezentas vezes nos últimos meses.

No final, depois de meses andando naquelas ruas, olhando aqueles prédios, pegando aqueles ônibus, atravessando aquelas avenidas, admirando aquela vista… Você entende que seu coração não pertence mais a um só lugar. Você não é mais aquela garota do meio da amazônia, mas também não é a menina da cidade grande, tampouco a filha dos seus pais ou a desconhecida no meio da rua. Você pertence aquele lugar novo, mas também tem as raízes fincadas na sua terra natal.

O seu coração foi partido em pedaços e cada um deles pertence a um lugar diferente. Talvez morar em outro estado seja isso, ter a certeza que você nunca estará plenamente em casa, mas que terá um pedacinho de lar em cada canto que se aconchegar. E que você sempre, sempre estará morrendo de saudades do lugar que não está. É como diz Manoel de Barros: “Do lugar onde estou, já fui embora”.

Sobre o último beijo que nunca lhe dei

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Na última vez que a vi, ela segurava as lágrimas enquanto abraçava a si mesma com força, como se estivesse arrumando uma maneira de segurar a própria alma. Observei ela segurar o choro e fugir do meu olhar, não sei se foi por medo de desabar na minha frente ou com vergonha por estar quebrando meu coração. Eu queira beijá-la uma última vez, mas não queria acreditar que nunca mais a teria. Então não a beijei. Em vez disso abri a porta quando ela pediu, caminhei com ela pelo corredor do condomínio, observei seu carro ir embora do estacionamento e chorei.

Como agora sei que foi minha última oportunidade, fico tentando lembrar de todas as nossas últimas vezes. A última vez que a beijei, que fizemos sexo ou que ouvi o som de sua risada. Não consigo lembrar de nenhuma, como se minha cabeça tivesse apagado cada uma dessas lembranças. Fico em dúvida se é algum tipo de mecanismo de defesa, como acontece com crianças traumatizadas, ou se em algum momento eu usei aquela máquina para apagar memórias de “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”.

Teria sido mais fácil esquecê-la se tivesse usado essa maldita máquina, mas não é assim que as coisas funcionam. Eu nem sei se quero deixar essas lembranças. Por muito tempo esse foi meu maior desejo, apagar todos os sentimentos que me aprisionavam naquela areia movediça do fim de relacionamento. A ausência dela era mais insuportável que sua presença inconstante. Eu ansiava por todas aquelas mudanças de humor que não entendia, os silêncios desconhecidos e as barreiras emocionais que por meses me irritaram. Acho quem de alguma forma, ainda espero que ela volte para usar a escova de dente que joguei no lixo, deitar na minha cama e se embrulhar em mim, mesmo estando mais quente que eu usando aquele moletom velho.

Uma parte de mim sempre vai esperar por ela, enquanto a outra vai ficar feliz de tudo ter acabado. A verdade é que eu não sirvo para relacionamentos, por mais que tente me adequar. Sou insegura demais para esse tipo de coisa. Não precisar pensar se estou fazendo algo de errado é extremamente libertador.

Com ela, eu sempre pensei que estava fazendo algo de errado.

Não porque sentisse que era errado estarmos juntas, pelo contrário, era bom até quando era ruim. Mas era como se eu não fosse boa o suficiente para ninguém. Eu sabia que quando ela me conhecesse de verdade, todos os meus medos e inseguranças, sairia correndo.

Bom, foi exatamente isso que aconteceu. Só que ela não precisou conhecer metade de mim para cair fora.

Até hoje não consigo saber qual foi o momento que ela deixou de me amar. Se foi antes ou depois de terminarmos. Até hoje tento descobrir qual foi o momento, qual foi a briga, qual foi o instante em que as coisas começaram a desandar. Quando vi, já estávamos rumo ao final e foi mais rápido que um estalar de dedos.

Eu não queria que aquela fosse nossa última noite. Então acreditei que não era e a deixei ir embora. Se eu pudesse mudar alguma coisa, qualquer coisas, em toda a nossa histórias, eu teria lhe dado um último beijo. Eu pediria para que você parasse de segurar as próprias lágrimas, porque foi insuportável ver você sendo forte enquanto eu estava em prantos. Porque é insuportável, até hoje, não ter a lembrança do seu último beijo. Eu realmente não me lembro, e eu costumo me lembrar de tudo sobre nós.

Amor Amargo e Relacionamentos Abusivos

Ainda na vibe dos vídeos para o youtube, também resolvi resenhar o livro ‘Amor Amargo’ da Jennifer Brown, que li na semana passado. O livro é muito bom e, aproveitando o tema da leitura, falei um pouco sobre relacionamentos abusivos e as reflexões que tive enquanto acompanhava a história.

Vlog: TAG Culinária

Olá,

Como o tempo foi ficando menor e os afazeres maiores, não tá dando tempo de escrever no blog (e na verdade, falta animo também). Mas em compensação, tô voltando com os vídeos para o youtube. Não sei exatamente quanto tempo vai durar a brincadeira, mas estou me divertindo por lá. Aqui a TAG culinária que gravei há duas semanas, na madrugada de um sábado à noite.