Amor Amargo e Relacionamentos Abusivos

Ainda na vibe dos vídeos para o youtube, também resolvi resenhar o livro ‘Amor Amargo’ da Jennifer Brown, que li na semana passado. O livro é muito bom e, aproveitando o tema da leitura, falei um pouco sobre relacionamentos abusivos e as reflexões que tive enquanto acompanhava a história.

A delicadeza do anime (e mangá) Nana, de Ai Yazawa

Já faz muito tempo que eu tinha curiosidade de ler o mangá Nana. Desde 2007 eu escuto falar maravilhas da obra de Ai Yazawa, mas no meio da correria do início da faculdade, acabei não acompanhando a história. Sabia só que se tratava da vida de duas garotas, de 20 anos, ambas chamadas Nana, que começam a dividir apartamento em Tokyo. Eu já tinha lido Paradise Kiss, da mesma autora, e tinha adorado. Então as expectativas eram enormes.

Esse ano eu comecei a retomar para o mundo dos animes e mangás, ainda muito timidamente. Assim terminei de assistir os episódios de Naruto que foram lançados (e terminei o mangá); revi Sailor Moon Classic; conheci Sailor Moon Crystal; assisti e li ‘Ao Haru Ride’, entre outros. Aqui em Belo Horizonte vivia encontrando o mangá de Nana nas livrarias, então decide tentar. Não deu outra: foi amor.

A história é um Josei, ou seja, aborda questões mais adultas, com relacionamentos não idealizados. Isso fala bastante sobre o espírito de Nana, que mostra a amizade de duas garotas bem diferentes. O que eu mais gosto é como elas se amam e estão sempre tentando apoiar uma outras, as duas são as verdadeiras almas gêmeas da história e você fica torcendo para que elas consigam resolver seus conflitos.

São abordados temas como drogas, traição, gravidez indesejada, aborto, o mundo da música e das celebridades, entre outros temas. Tudo abordado de uma forma delicada, como vi em poucas obras (filmes, séries ou animes). Eu me peguei chorando várias vezes durante a história. O traço do mangá é uma obra a parte, apenas maravilhoso.

Infelizmente o mangá nunca chegou ao final, a autora ficou doente e mesmo após sair do hospital não retomou o projeto. Com isso, ficamos sem saber o que acontece na vida das duas garotas. A história acaba exatamente em um momento crucial, apenas para nos deixar ainda mais curiosos e imaginando o que aconteceria. Desde que terminei o mangá, não consigo parar de imaginar as diversas possibilidades que aconteceram. O anime teve uma temporada, com um final aberto, exatamente porque eles imaginavam que iriam realizar uma segunda temporada em breve.

Tô até agora decidindo se amo ou odeio o Takumi, se vou ou não dar na cara do Nobu por me decepcionar constantemente, me perguntando o que acontece com a Nana, como vai se desenrolar o romance entre a Reira e o Shin, com quem a Hachi vai realmente ficar, o que aconteceu no futuro que é apresentado no mangá, entre tantas outras coisas que ficaram sem conclusão. Só me resta especular.

A Redoma de Livro

Resenha

“Uma garota vive em uma cidade no meio do nada por dezenove anos, tão pobre que mal pode comprar uma revista, e então recebe uma bolsa para a universidade e ganha um prêmio aqui e outro ali e acaba em Nova York, conduzindo a cidade como se fosse o próprio carro. Acontece que eu não estava conduzindo nada, nem a mim mesma”

Foi esse trecho, destacado na contra-capa do livro, que me fez ler o livro ‘A Redoma de Vidro’, da escritora norte americana Sylvia Plath. O livro caiu como uma luva na minha vida, gostei tanto que é até difícil ser objetiva na hora de falar sobre ele.

Sabe quando você se identifica tanto com uma personagem que chega ser assustador? Foi o que aconteceu comigo e Esther Greenwood, uma jovem estudante universitária que ganha um estágio na importante revista feminina Ladies’ Day. Apesar de ter um emprego invejável, ela não se sente feliz e encontra-se totalmente confusa em relação ao futuro. Não deseja casar, ter filhos e não consegue escolher seu caminho profissional.

Realmente, é assustador se identificar com a personagem, tendo em vista que o livro descreve sobre sua doença mental. Não sabemos exatamente o que ela tem, mas fica subentendido que ela está tendo uma crise de depressão. Como a história é narrada em primeira pessoa, nós vamos vendo como cada ação que parece ‘sem sentido’ para quem não sofre da doença faz total sentido quando você se coloca no lugar da personagem, até mesmo os pensamentos suicidas.

Muitas pessoas dizem que o livro não deve ser lido por pessoas que estejam passando por um momento difícil na vida e eu consigo entender exatamente o motivo. Publicado em 1963, o livro fala sobre algo que a escritora conhece muito bem. Embora não seja um livro autobiográfico, muito das experiência pessoais da escritora aparecem na obra. Para quem não sabe, a autora cometeu suicídio um mês após a primeira publicação da obra.

Conversando com uns amigos, cheguei a conclusão que muitos dramas internos da personagem só seriam entendidos por outras mulheres. Um homem não conseguiria entender a pressão do casamento, a perda da virgindade, o medo de engravidar e ficar preso ao homem errado, entre outros conflitos internos que a personagem precisa aprender a lidar. Mas o livro é sensacional e deveria ser lido por todos, tanto pela poética da autora, quanto para entendermos sobre depressão, uma doença cada vez mais comum, mas que ainda temos dificuldade de compreender.

Eu li a edição do selo Biblioteca Azul, da editora Globo. Gostei muito da diagramação, fonte e e páginas da publicação, apesar de achar que a capa não é muito bonita.

Malala: A garota que nunca se calou

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“Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”. Essa famosa frase foi proferida por Malal Yousafzai em seu discurso a Organização das Nações Unidas no dia 12 de julho de 2013, no seu aniversário de 16 anos. Nove meses antes ela lutava entre a vida e a morte, após sofrer um atentado de extremistas do Talibã. Nesta época Malala já era famosa por sua luta pela educação de meninas no Paquistão. O tiro que pretendia silenciar para sempre sua voz expendiu sua batalha e a deixou famosa em todo o mundo

No último domingo (12), Malala comemorou seu aniversário de 18 anos inaugurando uma escola no Líbano para garotas sírias refugiadas. Muitos a conhecem por ser a mais nova ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, em 2014, mas poucos sabem os detalhes de sua trajetória antes de ter atingida por um tiro. No livro “Eu Sou Malala”, publicado pela Companhia das Letras, vamos descobrindo como a garota cresceu, sua criação e educação e como sua principal diferença com as colegas de escola era sua liberdade para falar.

O nome da jovem é emblemático, inspirado na heroína do Afeganistão Malalai de Maiwand, que inspirou o exército a derrotar os britânicos na segunda guerra anglo-afegã de 1880. Malalai juntou-se a outras mulheres e foi para o campo de batalha, para cuidar de feridos. Lá viu que os afegãos estavam perdendo e que o porta bandeira caiu, ela então levantou seu véu branco e avançou no campo. Os britânicos mataram Malalai, mas os afegãos venceram os colonizadores. Seu avô tinha medo que o nome fosse lhe trazer má sorte e uma vida curta. A história quase se repetiu na vida da jovem.

No livro, também conhecemos seu pai, um homem que acreditava no poder da educação e tinha como sonho construir escolas para meninos e meninas no vale de Swat. Descobrimos também sobre a mãe de Malala, uma mulher muito religiosa e analfabeta, com uma força e compaixão inabalavél, que sempre abria sua porta aos desafortunados e alimentava os alunos mais humildes da escola do marido para que eles pudessem se focar nos estudos.

Malala costuma dizer que sua história não é única, acontece todos os dias com meninas em todo o mundo. Isso fica ainda mais evidênte no livro, ao mesmo tempo que sua bondade e sua perseverança se destacam. Ela não é extraordinária por fazer coisas sensacionais, é uma jovem comum que gosta de ler, estudar e é boa oradora. Como muitas de suas amigas que ela competia pelas melhores notas na escola.

Ela teve a possibilidade e a liberdade de contar a sua história. O pai de Malala é um cara extraordinário, que luta com muita coragem contra o Talibã e firme em seus ideais. Malala é fruto dessa criação. Ele queria educar o vale, mas Deus tinha uma missão muito mais importante: Ele deveria criar Malala. Se não fosse por sua criação e apoio, não poderia ter existido uma Malala.

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Quantas Malalas são silênciadas pela falta de apoio em suas casas? Quantas Malalas deixam de estudar porque seus pais acreditam que o casamento é a única maneira decente de viver? Ou as tiram da escola? Quantas Malalas não podem escolher sua profissão?

Ao final do livro, eu estava em lágimas. A história de Malala sempre me emociona e estou esperando ansiosamente pelo documentário ‘He Named Me Malala’ que será lançado no dia 2 de outubro no exterior e 19 de novembro no Brasil. Fico feliz de existir uma pessoa como ela para inspirar meninas em todo o mundo.

O livro é maravilhoso para entendermos não só a história de Malala, mas do vale de Swat, Paquistão, Talibã e as guerras na região. Algumas vezes a leitura é difícil, porque não estamos acostumados com a história desses lugares. Até os nomes parecem confusos, não fazem parte de nossa realidade. O livro tenta explicar tudo de forma didática, mas eu ainda tenho dificuldade para entender os conflitos no oriente médio.

O mais importante é a mensagem transmitida, que precisamos levantar nossas vozes nos momentos mais difíceis. Quantos de vocês se calariam ao serem ameaçados de morte? Malala teve medo, mas não parou de ir a escola. Não parou de estudar. Não parou de discursar.

Malala nunca se calou, e por isso tentaram calar ela. Devemos nos espelhar na coragem dessa garota e nunca nos calarmos diante das injustiças. O mundo está cheio de causas para se lutar, mas não com armas e balas. Como diz Malala, uma criança, uma caneta, um professor e um livro: Isso pode mudar o mundo.

O livro da perturbada da corte

Semana passada, entre 25 e 28 de junho, ocorreu em Belo Horizonte o Festival Literário Internacional (FliBH), com o tema ‘Imagina o mundo, imagina a cidade’. Foram realizadas oficinas, palestras, espaço para venda de editoras e produções independentes (como zines e livros artesanais), entre outras atrações. Fui ao evento menos do que gostaria, na mesma época estava participando de um Colóquio da UFMG, mas consegui comprar o livro ‘Anna Bolenna – O Livro’ da Bianca Reis, com direito a autográfo da artista. Eu já apresentei o trabalho da Bianca aqui, então quem não conhece é só dar uma lida nesse post. 

O projeto faz uma coletânea de 100 quadrinhos da página do facebook, além de 5 produções inéditas, e foi viabilizado através do Catarse, um site de financiamento coletivo. O livro é uma gracinha, gostei muito da escolha da gramatura do papel e a impressão dos quadrinhos. É bem interessante ver os quadrinhos fora da tela do computador, poder tocar, olhar de perto, ver detalhes, sentir o cheiro do livro. O traço da Bianca é simples e abstrato, ela brinca com as formas, palavras, sentido e cores.

O livro custou R$ 35, um preço que condiz com a qualidade do material. Na internet, o valor sobe um pouco, fica R$ 45 com o frete incluso. Para quem é fã da Anna Bolenna, vale a pena, além de ficar lindo da estante. Mas corre logo, porque quase todos já foram vendidos. Poucos estão sobrando para venda online.

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Anna Bolenna – A pertubada da corte

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Eu não lembro qual foi a primeira vez que vi um quadrinho da Anna Bolenna – A pertubada da corte, mas um dia ele simplesmente estava na minha timeline. E eu adorei. Continuei adorando todas as vezes, mas nunca fui atrás da página, ou saber quem era a Anna Bolenna, eu apenas curtia quando os quadrinhos apareciam e meu dia ficava mais felizinho. Ou ao menos, quando as tirinhas eram tristes, dava aquele sentimento de pertenciamento. “Tamos junto, colega”.

Tem um quadrinho em especial, do passarinho que cantava todos os dias na janela, que apareceu na minha timeline após o fim de um relacionamento, que tem meu carinho especial. Ele caiu como uma luva na minha vida e deixou um dia cinza, em uma época cinza, um pouco mais bonitinho e colorido.

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Essa semana finalmente descobri quem é a pessoa por trás da Anna Bolenna e várias histórias envolvendo aqueles quadrinhos. Ela é Bianca Reis, estudante de Artes Visuais da UFMG e participou nesta semana do TipCom, um evento de comunicação em que participei na UFMG. Se você não conhece o trabalho dela, pode acessar a página no Facebook.

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Por essas e outras oportunidades de conhecer pessoas talentosas, fazendo coisas interessantes na internet e no Brasil, obrigada Bêaga!