Oscar 2016: The Big Short

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Expectativa é uma coisa engraçada, quanto menos você tem, melhor. Esse é o grande trunfo de ‘The Big Short’. Como a maioria das pessoas vai ao cinema imaginando que irá encontrar uma versão sem o Scorsese de ‘O Lobo de Wall Street’, acaba descobrindo um filme que merece o destaque que ganhou na premiação do Oscar. Compara-lo com ‘O Lobo’ é inútil, apesar de se passarem em um mesmo ambiente e se utilizarem do humor para contar a história, não há similaridades entre eles. Ainda bem.

Adaptado do livro de Michael Lewis ‘The Big Short: Inside the Doomsday Machine’, o filme conta as diferentes histórias de investidores e especuladores financeiros que previram o estouro da bolha imobiliária e resolveram apostar contra ela. Para quem não sabe, a queda dos bancos em Wall Street que é mostrada na tela é responsável, em partes, pela atual crise econômica no Brasil. Estamos recebendo as últimas ondas deste tsunami econômico.

No filme, Michael Burry (Christian Bale) é o dono de uma empresa de médio porte, que decide investir muito dinheiro do fundo que coordena ao apostar que o sistema imobiliário nos Estados Unidos irá quebrar em breve. Tal decisão gera complicações junto aos investidores, quem apostaria contra uma economia em ascensão? Ao saber disso o corretor Jared Vennett (Ryan Gosling, irreconhecível e incrível no papel) percebe a oportunidade e passa a oferecê-la a seus clientes. Um deles é Mark Baum (Steve Carell), o cético dono de uma corretora que enfrenta problemas pessoais desde que seu irmão se suicidou. Ao mesmo tempo, dois iniciantes na Bolsa de Valores percebem que podem ganhar muito dinheiro ao apostar na crise imobiliária e, para tanto, pedem ajuda de Ben Rickert (Brad Pitt), um investidor que vive recluso.

brad2bpittO filme é acido, rápido e engraçado, mostrando o absurdo que existia em Wall Street para manter um sistema capitalista e o dinheiro rodando. As atuações de Christian Bale, Ryan Gosling, Steve Carell, John Magaro, Finn Wittrock e Brad Pitt estão incríveis, mas todo o elenco está fenomenal. A escolha de utilizar uma fotografia de documentário com imagens da cultura pop foi uma jogada de mestre do diretor de comédias Adam McKay para impedir que o filme se tornasse monótono.

São tantas informações que é difícil acompanhar. Talvez esse seja um dos poucos defeitos do longa. Com uma grande quantidade de protagonistas e um número de informações muito grande para pouco tempo, é normal se sentir perdido. Mas a forma como o filme escolheu para ‘ensinar’ alguns dos temos incompreensíveis para leigos em economia, realmente ajuda o telespectador a se situar ao mesmo tempo que entretém. Um exemplo é a cena que contém a atriz e cantora Selena Gomes, divertida e didática na medida certa. A quebra da quarta parede (quando um personagem fala com o telespectador) também é um elemento muito bem utilizado. A montagem é sensacional e, junto com a narração, lembra muito o brasileiro ‘A Ilha das Flores’.

Temos também uma carga dramática que não parece forçada, representa perfeitamente na cena em que o personagem de Brad Pitt briga com dois iniciantes na Bolsa de Valores por estarem comemorando a eminente queda dos bancos. Eles iriam ganhar milhões com aquilo, mas na verdade, a vitória deles significava que muitas pessoas iriam perder seus empregos, suas casas e a economia mundial entraria em colapso. O telespectador também encontra-se no mesmo dilema: torcemos para os ‘mocinhos’, mas na verdade, torcer para eles é torcer contra nós. Da mesma forma que torce para que eles estejam errados é admitir que nós preferimos que a corrupção dos bancos continue, desde que isso não afete nossas vidas.

Em meio a um Oscar sem muitas inovações, ‘The Big Short’ é a prova de que é possível fazer bons filmes em Hollywood.

Oscar 2016: Spotlight

rachel-mcadams-mark-ruffalo-brian-dg-arcy-michael-keaton-and-john-slattery-in-spotlight-cred-kerry-hayes-open-road-films‘Spotlight – Segredos Revelados’ pode ser resumido em duas palavras: Mark Ruffalo. Maravilhoso do começo ao fim, nós até esquecemos que ele não é o personagem principal da trama. Todo o resto se apaga quando o ator não está em tela e podemos ver alguns defeitos da obra que se desenrola. O filme te deixa inquietado por causa da história que é contada, mas a fórmula usada para isso não surpreende. A impressão é que o filme ficou preso no final dos anos 90 ou que estamos em alguma série do Universal Channel, só que com jornalistas em vez de advogados ou detetives. Tudo bem, porque eu adoro Law & Order.

Baseado em fatos, Spotlight acompanha a denúncia do jornal Boston Globo sobre o esquema de conivência da Igreja Católica e do sistema judiciário da cidade para acobertar abusos de menores praticados por sacerdotes. Por trás disso, temos uma homenagem ao jornalismo antes das redes sociais e uma crítica a superficialidade das notícias. Algo que fica evidente em duas cenas do filme, em que a equipe do Spotlight percebe que os assuntos investigados já haviam aparecido algumas vezes no Boston Globo na forma de pequenas matérias. É o cotidiano do jornalismo deixando passar histórias importantes e transformando-as em notinhas de rodapé.

mark_ruffaloOs personagens de Spotlight ainda não sabiam, mas as coisas iam ficar cada vez piores, com prazos cada vez mais curtos, informações repetitivas e a superficialidade das redes sociais indo parar nas redações. Como jornalista, é normal desejar fazer parte desta equipe de repórteres investigativos com os maiores prazos já vistos para desenvolver uma matéria. Mas talvez isso ensine os editores do mundo que um prêmio Pulitzer não se faz com uma cobertura de dois dias.

As interpretações Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci eBilly Crudup também sustentam o filme de forma primorosa, a equipe está afiada e trabalha bem junta. Mas é a performance brilhante de Mark Ruffalo que se destaca. Não sei se o ator é o favorito do Oscar, mas não me surpreenderia se ele acabar ganhando a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante, desbancando até o excelente trabalho feito por Tom Hardy em ‘O Regresso’.

A direção de Tom McCarthy, no entanto, pode ser vista apenas como competente. O diretor tinha uma história fácil de contar e nos deixamos levar pela obra, ansioso por mais respostas. Mas a verdade é que Spotlight serve muito mais para as faculdades de jornalismo do que para as aulas de cinema. Ainda assim, merece ser visto pelo tema que aborda: a pedofilia dentro da igreja católica, um assunto que ainda carece de debate. Se a intenção era dar luz a esse assunto, então Spotlight conseguiu cumprir a sua missão, e é isso que importa.

Oscar 2016: Brooklyn

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Alguém poderia me explicar por que Brooklyn está concorrendo como Melhor Filme enquanto ‘Carol’ e ‘A Garota Dinamarquesa’ não estão na disputa? Eu realmente não entendo. Não me levem a mal, não achei Brooklyn um filme ruim, pelo contrário. A história de Ellis e sua jornada para decidir onde é seu verdadeiro lar, a Irlanda ou a América, é realmente encantadora. Mas não chega aos pés desses dois filmes que ficaram fora da disputa.

Dirigido por John Crowley e escrito por Nick Hornby, baseado no livro homônimo de Colm Tóibín, o filme conta como grande destaque a interpretação de Saoirse Ronan, que concorre ao prêmio de Melhor Atriz. A jovem faz um competente trabalho mostrando o desabrochar natural da personagem durante o longa, indo de uma tímida garota sem perspectiva na Irlanda até uma jovem metropolitana com um mundo de possibilidades. Nós conseguimos entender as dúvidas da personagem e os motivos que a fazem ficar entre dois amores.

Saoirse Ronan in BrooklynApesar da metáfora se fazer pelo romance, não é entre dois homens que a jovem está escolhendo, mas entre duas vidas, duas casas e dois países. Ficar em sua cidade natal onde a vida é mais fácil e adaptável ou aguentar a saudade e insegurança de viver longe de sua zona de conforto? Não existe exatamente uma escolha certa a ser feita, apenas uma escolha. Cada uma delas terá seus bônus e seus ônus.

No entanto, o desaflorar de Ellis é bonito de se ver. Acontece de forma tão gradual que só conseguimos perceber as mudanças quando ela retorna para sua cidade natal e lá começa a se destacar, seja pelas roupas ou pela confiança adquirida do outro lado do oceano. Logo se vê cheia de possibilidades em sua pequena cidade, mas será que seu espirito está grande demais para aquele lugar? Ainda assim, é impossível não ficar dividido – assim como a personagem – sobre qual destino será escolhido.

Brooklyn é um bom filme e merece a ida ao cinema, mas não leva consigo a carga emotiva e ‘A Garota Dinamarquesa’ ou a qualidade cinematográfica de ”Carol’. A fotografia é fofa e delicada, com suas cores bem estabelecidas… Mas não é sensacional, a trilha sonora não tem nada de extraordinário, apesar de apresentar um momento emocionante em que um senhor canta uma música irlandesa durante o Natal. O roteiro, apesar de bem desenvolvido, evolui naturalmente e sem muitas surpresas. No final das contas, o filme cumpre o seu papel, mas não impressiona. Não passa de uma homenagem aos imigrantes irlandeses. Nada além disso.

Oscar 2016: Carol

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No Oscar dois filmes se destacam por colocar seus protagonistas em situações extremas que eles precisam sobreviver: Perdido em Marte e O Regresso. Parece que para um filmes ganhar a notoriedade da academia é preciso que seus personagens sejam verdadeiros heróis. Histórias simples, sobre sentimentos, não tiveram muito destaques na premiação. Carol mostra exatamente isso.

Com apenas 6 indicações (a metade de O Regresso), o longa conta uma história delicada e tocante. Baseado no livro ‘The Price of Salt‘, originalmente publicado em 1952, acompanhamos Therese Belivet (Rooney Mara), funcionária de uma loja de brinquedos, que conhece a elegante Carol (Cate Blanchett). As duas precisam enfrentar o preconceito de um relacionamento lésbico na década de 50 e o ciúmes do ex-marido de Carol, que tenta usar a sexualidade da esposa para conseguir a guarda da filha.

Até agora foi o meu filme favorito do Oscar, mas infelizmente, não posso nem torcer por ele, já que o longa ficou de fora na categoria de Melhor Filme. Na minha opinião, uma grande injustiça. Agora resta esperar que uma das atrizes, que estão concorrendo como Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, receba a estatueta. Cate Blanchett está magnifica, como não poderia deixar de ser, e apresenta uma personagem a frente do seu tempo.

rooney-mara_carol_2015-4Carol está sempre contestando, de forma muito sutil, os conceitos pré-estabelecidos sobre como uma mulher deve agir na sociedade, ainda mais se ela for lésbica. Em uma cena ela observa uma amiga fumar escondido do marido. A personagem diz “Ele não gosta que eu fume”, quando Carol brilhantemente responde “Quem tem que gostar é você”.

Rooney Mara não fica para trás da companheira e consegue, com sucesso, segurar a difícil missão de contracenar com Blanchett. Mara apresenta uma personagem com as dúvidas típicas do primeiro amor homoafetivo, mas sem cair no clichê. Therese é mais segura do que aparente a primeira vista. Uma mulher forte, sem perder a ternura.

O filme todo é construído nos detalhes. Seja na maravilhosa fotografia (com vários quadros dentro de quadros), no figurino ou na trilha sonora. Tudo está ali, feito com muito cuidado e graciosidade. Um excelente trabalho do diretor Todd Haynes.

Talvez por ser bissexual, eu tenha me identificado com a história de uma forma pessoal, achei emocionante, encantadora e chorei em algumas cenas. Muitas vezes as personagens demonstram seus sentimentos através do olhar. Para quem é do mundo LGBT, isso ainda é uma realidade. Sem saber se o lugar que estamos é seguro para demonstrações de carinho, nos resta a troca de olhares. É esse tipo de ternura que encontramos neste filme e que está faltando em outras produções que concorrem ao Oscar este ano.

Oscar 2016: O Regresso

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A luta pela sobrevivência é o tema do novo filme do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu. Após Birdman, o diretor é o favorito para levar (novamente) a estatueta com o filme ‘O Regresso’ (The Revenant), que já ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Drama. O filme provavelmente também deve dar (finalmente!) o primeiro Oscar ao ator Leonardo DiCaprio.

Adaptação do romance ‘The Revenant: A Novel of Revenge’, de Michael Punke, a história é ambientado no século 19 e acompanha o guarda de fronteira Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que liderava uma missão ao longo do rio Missouri. Quando sua equipe é atacada por indígenas na região, todos são obrigados a abandonar seu barco e andar pela floresta. É quando o personagem principal é atacado por um urso. À beira da morte, ele é abandonado por seus companheiros e precisa enfrentar diversos obstáculos para sobreviver e conseguir se vingar de John Fitzgerald (Tom Hardy), homem responsável por seu infortúnio.

Temos aqui uma história de superação tão irreal quanto ‘Perdido em Marte’, onde o protagonista supera tantas adversidade que quase parece um super herói. Mas se na história do astronauta somos levados através do humor, aqui acontece exatamente o oposto, ficamos ligados pelo sofrimento. O ar é muito mais pesado.

maxresdefault-1Leonardo está fenomenal durante o longa e, ironicamente, deve ganhar o Oscar por um de seus personagens mais calados. Durante muitos minutos não temos nenhuma fala do personagem principal. Tudo bem, porque é na ausência delas que as emoções afloram pela tela. Somos levados, junto com o personagem, em uma jornada que exige o máximo de nossas forças físicas e emocionais.

Uma menção honrosa deve ser feita Tom Hardy, que interpreta o vilão John Fitzgerald. Ele também concorre ao Oscar como melhor ator coadjuvante. Seu personagem é frio, bruto e egoísta, mas de alguma conseguimos nos preocupar com sua jornada. Se não fosse por sua atuação, seria difícil acreditar que o protagonista teria realmente tanta vontade de sobreviver apenas para se vingar.

O filme é redondo: belas paisagens, ótimas atuações, fotografia espetacular. A fotografia, por sinal, é recheada de planos sequências muito bem ensaiados, o que lembra Birdman. Mas de alguma forma, o projeto não apresenta novidade na sétima arte. Já vimos tudo aquilo antes e é inevitável comparar. O fato deste filme ser o favorito fala bastante sobre a premiação: acostumada a homenagear as mesmas pessoas se aperfeiçoando em fazer cada vez melhor as mesmas coisas.

Oscar 2016: Perdido em Marte

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Eu já disse que não sou muito fã de ficção científica, não é? Foi por isso que nem me animei com ‘Perdido em Marte’. Mas quando vi que o filme tinha ganhado como melhor comédia no Globo de Ouro e estava concorrendo como melhor filme para o Oscar, tive que assistir. Não chega a ter a carga emocionar de ‘Interrestelar’, mas pelo menos não decepciona.

Baseado no livro homônimo de Andy Weir, ‘Perdido em Marte’ (The Martien) conta a história de um astronauta (Matt Damon) que é separado de sua tripulação e inicialmente dado como morto. Deixado para trás pelos companheiros em uma colônia marciana, ele tenta sobreviver enquanto aguarda ser resgatado pela NASA.

review_perdido-em-marteinpost01Matt Damon está ótimo e consegue passar por várias camadas do personagem, do desespero até o bom humor característico do astronauta. Uma boa sacada do roteiro e da direção foi se utilizar do humor para contar a história, se não, o filme teria ficado bastante enfadonho. O uso das câmeras de vigilância na fotografia do filme dá uma sensação mais próxima com o personagem e tira a monotonia que cenários não interessantes, como salas de escritórios ou um deserto marciano, poderia oferecer.

As diferentes adversidade que vão sendo contornadas pelo personagem vão dando a dinâmica do filme, mas talvez o seu excesso tenha prejudicado o longa. Em determinado momento você começa a pensar “Agora vocês estão exagerando, ele nunca poderia fazer isso”. Não importa se ache exagero ou não, no final você vai ter que pesquisar no Google ‘Mitos e verdades em Perdido em Marte’. Não tem jeito. A parte boa é que o filme não se leva muito a sério e tira sarro de si mesmo.

‘Perdido em Marte’ é um filme divertido, que entretém e te faz ficar ansiando pela resposta: Será que ele vai conseguir sobreviver? Talvez seja um exagero coloca-lo entre as melhores produções cinematográficas de Hollywood em 2015? Sim. Mas se ‘Gravidade’ conseguiu ser indicado ao Oscar, ‘Perdido em Marte’ também merece. Eu pelo menos prefiro mil vezes assistir o Matt Damon plantando batatas do que a Sandra Bullock girando pelo espaço.

Oscar 2016: A Garota Dinamarquesa

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Estou fazendo uma maratona do Oscar 2016. Com tantos filmes bons, me animei de reativar o blog e colocar um pouco das minhas impressões dos grandes nomes da Sétima Arte que aparecem na premiação. Para começar, o filme que estava ansiosa desde as primeiras fotos promocionais: ‘A Garota Dinamarquesa’ (The Danish Girl).

Logo que ‘A Garota Dinamarquesa’ inicia, com suas belas cenas de paisagens, é possível perceber a delicadeza e sensibilidade do filme. O diretor Tom Hopper (de ‘O Discurso do Rei’) deveria nos contar a emocionante história de Lili Elbe (Eddie Redmayne), a primeira transexual a passar por uma operação de mudança de sexo, mas o que recebemos é uma linda história de amor, que vai além do gênero ou da sexualidade.

screen-shot-2015-11-26-at-11-01-49-amBaseado no livro de David Ebershoff, a história ocorre na cidade de Copenhagen, na década de 20. Einar (Eddie Redmayne) é um artista de sucesso e pinta paisagens delicadas. Ele é casado com Gerda (Alicia Vikander), que faz retratos e procura sua voz no mundo da arte e em suas próprias pinturas. Certo dia, ela pede ao marido que use roupas femininas para terminar uma obra e os dois começam a se divertir criando um ‘personagem’ chamado Lili, para invadir as entediantes festas da burguesia local.

O personagem, no entanto, era mais real do que Gerda imaginava. Einar começa uma jornada de auto descoberta que aos poucos vai arruinando seu casamento, mas não o amor da esposa. Em algum momento do filme, a ‘Garota Dinamarquesa’ do título deixa de ser Lili e passa a ser Gerda. Apesar da excelente atuação de Eddie Redmayne, é Alicia Vikander que consegue transmitir o conflito interno da transição e como o amor consegue superar todo o medo, angústia e luto pela perda do marido, já que Einar morre aos poucos no decorrer do filme, enquanto Lili ganha vida a cada cena. E resta a nós – e a Gerda – acompanhar essa transição.