o samba, o café e o rádio

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Você me acordou com um samba gostoso, que tocava no rádio antigo da sua cozinha. Na mesa, dois pratos, dois copos, o café recém passado, a omelete quente e uma flor roubada do jardim. O sol brilhava frio, as nuvens escondiam o dia, o vento brincava de fazer barulho. Dançamos juntos, meu coração no seu, seu rosto no meu, a respiração pausada, os passos pequenos tomando cuidado para não pisar um no pé do outro. A gente se encontrava ali, eu usando a sua camiseta do Star Wars, você de cueca samba canção. Era domingo, mas a cidade respirava alto em nossos ouvidos. A gente não prestava atenção e só escutava o samba, que tocava no rádio antigo da cozinha. Eu queria ainda lembrar o seu nome, mas ele ficou entre os caminhos que percorri, as lembranças que perdi, as história que guardo no peito. Entre a festa do teatro, o beijo meio pedido, meio roubado, os teus cabelos encaracolados, o sorriso quebrado, os olhos escuros, o trajeto no carro, o abraço no ônibus, a caminhada pelas ruas perdidas, você segurando minha mão no meio da madrugada, a loucura na noite. A única noite. Eu e você, o passo devagar, o samba na cozinha, o rádio velho e a camisa do Star Wars.

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15.06.14

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eu não estou mais cabendo aqui.
transbordo pelos números binários.
como água.
como ar, eu flutuo.
escorro pelos dedos
e deixo de ser palavra.

arco e flecha

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Era pra ser flecha
foi arco
perdida sem pontaria
entre a ida e a partida

Era pra ser algo
foi nada
perdeu-se entre o começo
o fim e sem meios

não era
pra ser
foi
é