Oscar 2016: Spotlight

rachel-mcadams-mark-ruffalo-brian-dg-arcy-michael-keaton-and-john-slattery-in-spotlight-cred-kerry-hayes-open-road-films‘Spotlight – Segredos Revelados’ pode ser resumido em duas palavras: Mark Ruffalo. Maravilhoso do começo ao fim, nós até esquecemos que ele não é o personagem principal da trama. Todo o resto se apaga quando o ator não está em tela e podemos ver alguns defeitos da obra que se desenrola. O filme te deixa inquietado por causa da história que é contada, mas a fórmula usada para isso não surpreende. A impressão é que o filme ficou preso no final dos anos 90 ou que estamos em alguma série do Universal Channel, só que com jornalistas em vez de advogados ou detetives. Tudo bem, porque eu adoro Law & Order.

Baseado em fatos, Spotlight acompanha a denúncia do jornal Boston Globo sobre o esquema de conivência da Igreja Católica e do sistema judiciário da cidade para acobertar abusos de menores praticados por sacerdotes. Por trás disso, temos uma homenagem ao jornalismo antes das redes sociais e uma crítica a superficialidade das notícias. Algo que fica evidente em duas cenas do filme, em que a equipe do Spotlight percebe que os assuntos investigados já haviam aparecido algumas vezes no Boston Globo na forma de pequenas matérias. É o cotidiano do jornalismo deixando passar histórias importantes e transformando-as em notinhas de rodapé.

mark_ruffaloOs personagens de Spotlight ainda não sabiam, mas as coisas iam ficar cada vez piores, com prazos cada vez mais curtos, informações repetitivas e a superficialidade das redes sociais indo parar nas redações. Como jornalista, é normal desejar fazer parte desta equipe de repórteres investigativos com os maiores prazos já vistos para desenvolver uma matéria. Mas talvez isso ensine os editores do mundo que um prêmio Pulitzer não se faz com uma cobertura de dois dias.

As interpretações Michael Keaton, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci eBilly Crudup também sustentam o filme de forma primorosa, a equipe está afiada e trabalha bem junta. Mas é a performance brilhante de Mark Ruffalo que se destaca. Não sei se o ator é o favorito do Oscar, mas não me surpreenderia se ele acabar ganhando a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante, desbancando até o excelente trabalho feito por Tom Hardy em ‘O Regresso’.

A direção de Tom McCarthy, no entanto, pode ser vista apenas como competente. O diretor tinha uma história fácil de contar e nos deixamos levar pela obra, ansioso por mais respostas. Mas a verdade é que Spotlight serve muito mais para as faculdades de jornalismo do que para as aulas de cinema. Ainda assim, merece ser visto pelo tema que aborda: a pedofilia dentro da igreja católica, um assunto que ainda carece de debate. Se a intenção era dar luz a esse assunto, então Spotlight conseguiu cumprir a sua missão, e é isso que importa.

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