Oscar 2016: Carol

carol

No Oscar dois filmes se destacam por colocar seus protagonistas em situações extremas que eles precisam sobreviver: Perdido em Marte e O Regresso. Parece que para um filmes ganhar a notoriedade da academia é preciso que seus personagens sejam verdadeiros heróis. Histórias simples, sobre sentimentos, não tiveram muito destaques na premiação. Carol mostra exatamente isso.

Com apenas 6 indicações (a metade de O Regresso), o longa conta uma história delicada e tocante. Baseado no livro ‘The Price of Salt‘, originalmente publicado em 1952, acompanhamos Therese Belivet (Rooney Mara), funcionária de uma loja de brinquedos, que conhece a elegante Carol (Cate Blanchett). As duas precisam enfrentar o preconceito de um relacionamento lésbico na década de 50 e o ciúmes do ex-marido de Carol, que tenta usar a sexualidade da esposa para conseguir a guarda da filha.

Até agora foi o meu filme favorito do Oscar, mas infelizmente, não posso nem torcer por ele, já que o longa ficou de fora na categoria de Melhor Filme. Na minha opinião, uma grande injustiça. Agora resta esperar que uma das atrizes, que estão concorrendo como Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, receba a estatueta. Cate Blanchett está magnifica, como não poderia deixar de ser, e apresenta uma personagem a frente do seu tempo.

rooney-mara_carol_2015-4Carol está sempre contestando, de forma muito sutil, os conceitos pré-estabelecidos sobre como uma mulher deve agir na sociedade, ainda mais se ela for lésbica. Em uma cena ela observa uma amiga fumar escondido do marido. A personagem diz “Ele não gosta que eu fume”, quando Carol brilhantemente responde “Quem tem que gostar é você”.

Rooney Mara não fica para trás da companheira e consegue, com sucesso, segurar a difícil missão de contracenar com Blanchett. Mara apresenta uma personagem com as dúvidas típicas do primeiro amor homoafetivo, mas sem cair no clichê. Therese é mais segura do que aparente a primeira vista. Uma mulher forte, sem perder a ternura.

O filme todo é construído nos detalhes. Seja na maravilhosa fotografia (com vários quadros dentro de quadros), no figurino ou na trilha sonora. Tudo está ali, feito com muito cuidado e graciosidade. Um excelente trabalho do diretor Todd Haynes.

Talvez por ser bissexual, eu tenha me identificado com a história de uma forma pessoal, achei emocionante, encantadora e chorei em algumas cenas. Muitas vezes as personagens demonstram seus sentimentos através do olhar. Para quem é do mundo LGBT, isso ainda é uma realidade. Sem saber se o lugar que estamos é seguro para demonstrações de carinho, nos resta a troca de olhares. É esse tipo de ternura que encontramos neste filme e que está faltando em outras produções que concorrem ao Oscar este ano.

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