Alguns dias a gente acorda mais perdido do que em outros

Tem dias que a gente acorda mais perdido que em outros. Sem saber ao certo se está tomando as decisões corretas, se não deveria parar de lutar contra a correnteza e apenas fazer o que todo mundo faz: estudar pra um concurso, passar e viver uma vida estável. Eu não consigo ser assim.

Só de pensar na possibilidade tenho vontade de vomitar.

Sempre trabalhei em lugares que era apaixonada e me doei 100% em todos eles. Como em todo namoro, a paixão ia se dissipando e eu não conseguia ficar mais naquele relacionamento sem amor. Porque na minha vida, ou eu estou apaixonada, ou eu caio fora. A ideia de um comprometimento eterno me dá medos.

Foi por isso que eu sai do Acre. Eu não estava mais apaixonada pela minha cidade e precisava de um lugar que me fizesse amar sair de casa todos os dias. Deu certo. Sou totalmente apaixonada por Belo Horizonte. Mas tem dias que eu gostaria de não ser assim, tão passional com a vida. Ao mesmo tempo tão desligada com as pessoas, a ponto de não pestanejar em abandonar grandes amizades, pequenos amores e raízes familiares para apenas… conhecer coisas novas.

Se eu fosse mais apática, conseguiria viver anos no mesmo emprego, com as mesmas pessoas, andando pelos mesmos lugares, vivendo sempre a mesma vida. O tempo todo. Tudo igual. Talvez eu fosse mais feliz.

Uma vez quando criança eu perguntei para o meu pai, aos prantos, por que eu não era excelente em nada. Eu era boa em muita coisa (escrever, história, geografia), mas não me destacava em nada. Eu era péssima em tantas outras coisas, principalmente esporte e matemática. A impressão é que todos tinham algo em que se destacavam, menos eu. E eu queria ser excelente em alguma coisa. Ele me disse que algumas pessoas eram apenas especialistas em saber um pouquinho de cada coisa, mas isso não ajudou muito naquela época e continua sem acalentar minhas angustias.

Eu ainda me sinto como aquela criança de nove anos, que quer ser especialista em algo, mas só consegue ser mediana em tudo.E eu nem quero ser genial, apenas saber qual minha função aqui nesse planetinha terra. Se eu não sirvo para nada, então qual a diferença de estar aqui? O problema é que eu já fiz tantas coisas novas que agora eu não sei exatamente o que eu quero nem por onde começar.

A verdade é que nessa de procurar coisas para me apaixonar, eu nunca sei exatamente o que estou fazendo da minha vida. Estou sempre em busca de coisas novas, tentando descobrir onde eu me encaixo, então parece que nunca me aprofundo em nada. Às vezes eu gostaria de encontrar um amor eterno, aquele lugar que eu vou me sentir tão bem e verdadeiramente eu que a vontade de procurar coisas novas vai ir embora e vou me contentar com o que tenho. Às vezes eu gostaria de apenas não ser eu.

Alguns dias eu acordo mais perdida que em outros.

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