Eu escolho ter uma família não convencional

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Caros políticos do estatuto da família,

Eu tenho uma família incrível. Ela é formada pela minha mãe, meu pai, a esposa do meu pai e meus três irmãos. Para algumas pessoas pode ser difícil compreender, mas não existe raiva entre a minha mãe e a esposa do meu pai, pelo contrário, as duas se gostam muito.

Meus pais, na época que foram casados, compraram um grande terreno. Atualmente, meu pai vive lá na casa que construiu com sua esposa e seus dois filhos. Mas já foi decidido que minha mãe vai construir uma casa no mesmo terreno e faremos uma pequena vila da família. Como meu pai costuma viajar com frequência a trabalho, a esposa dele está ansiosa para que minha mãe vire sua vizinha. Ela se sentiria mais segura dessa forma e teria alguém para lhe ajudar com as crianças.

Eu fico me perguntando o que vocês pensam da minha família. Talvez digam que minha família não é UMA família, mas duas. A da minha mãe e a do meu pai. Mas não é. Somos apenas uma família.

Quando a esposa do meu pai descobriu que estava grávida, ficou muito assustada em reviver a maternidade. Um dia, enquanto chorava pensando em como sua vida iria mudar, minha mãe lhe consolou e disse que a vinda daquele bebê seria a união da nossa família, transformaria essas duas unidades familiares em uma só. Foi exatamente isso que aconteceu.

Vocês, neste estatuto, querem me obrigar a escolher. Ou minha família é formado por minha mãe e meu irmão, ou minha família é formada pelo meu pai, sua esposa e meus dois irmãos. Eu não vou escolher, porque a minha família não se adequar a uma regra retrógrada que vocês criaram apenas para impedir que homossexuais tenham seus direitos.

Fingir que milhares de famílias não convencionais não existem, excluir delas seus direitos, não vai fazer elas desaparecerem. Não vai fazer as pessoas deixarem de se amar, de se unir e de cuidar umas das outras. Negar direito as pessoas não fará elas ‘escolherem’ outro caminho, porque nunca foi uma escolha para nós.

Vocês dizem que nós, da comunidade LGBT, escolhemos essa vida. Sim, nós escolhemos. Entre sermos infelizes mentindo para todos ou felizes sendo sinceros com nós mesmos e os outros, nós escolhermos a segunda opção. Entre fingirmos amar alguém que nunca conseguiremos amar ou nos permitir sentir o verdadeiro amor, nós escolhermos a segunda opção. Entre termos uma família convencional que não amamos e não nos ama ou termos uma família não convencional que amamos, nós escolhermos a segunda opção.

Eu conheço famílias que fazem parte desse estatuto da família, mas não se amam. O pai odeia a esposa e a trai. A mãe vive em depressão e não queria ter tido filhos. As crianças não recebem amor e são criados de qualquer forma. Eu conheço famílias cristãs que os irmãos não se falam e os conjugues são infelizes e só estão juntos porque são obrigados pelas ‘Leis de Deus’. Eu conheço famílias tradicionais onde ninguém se fala, ninguém se ama. Enquanto famílias não convencionais transbordam amor, porque elas não estão juntas por um estatuto ou uma lei do que é certo, mas porque se amam e querem cuidar uns dos outros.

Eu escolheria mil vezes a minha família não convencional. Eu escolho amar a pessoa que eu me apaixonar e quiser construir uma família, não a pessoa que vocês acham correto ‘pelas leis de Deus’. Leis essas, que vocês ignoram quando convém.

O estatuto da família de vocês não exclui apenas aqueles que vocês querem tirar os direitos, ou seja, os homossexuais. Vocês podem dificultar o quanto quiserem, mas minha família existe. A família dos homossexuais existem. As famílias não convencionais, formados por tios que adotam seus sobrinhos, avós que criam seus netos, irmãos não sanguíneos que vivem juntos e outras diferentes formas de família… Essas famílias existem e vão continuar existindo.

Vocês podem fechar os olhos, mas o mundo nunca vai entrar na caixinha de vocês. Ainda bem.O meu mundo é muito mais feliz do que esse que vocês criaram no papel. No meu mundo eu tenho dois irmãos maravilhosos que não teria se quisesse me adequar ao mundo de vocês. Vocês fiquem aí no mundo de regras, dogmas e leis. Eu escolho viver no mundo do amor, eu escolho ter a minha família não convencional.

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