Filmes do feriadão: Wild e Lugares Escuros

O último fim de semana foi super gostoso, teve até direito a feriadão. Não viajei e deixei a preguiça me consumir gostoso. Poderia ter aproveitado o tempo livre pra ver os mil filmes para a aula de cinema, mas em vez disso abri o Popcorn Time e escolhi dois filmes do catálogo para assistir. Tava querendo dar um tempo nos filmes antigos e nos estudos. Acho que fazia um mês que não assistia um filme só por diversão. Os escolhidos, como disse ontem, foram Wild e Lugares Escuros.

O primeiro que assisti foi Lugares Escuros, dirigida por Gilles Paquet-Brenner. Tinha achado o trailer super interessante e é inspirado em um livro da Gillian Flynn, autora de Garota Exemplar. O filme também conta com a magnifica Charlize Theron, no papel da confusa Libby Day, uma jovem que sobreviveu ao assassinato de sua família e recebe doações desde criança. Ela lembra muito pouco sobre a noite da tragédia, mas foi seu testemunho que colocou o irmão na cadeia pelo crime. Precisando de dinheiro, ela aceita revisitar o passado com o empresário Lyle (Nicholas Hoult), que está obcecado em provar a inocência do irmão de Libby. Tinha tudo para ser um bom filme, mas não era.

Aos poucos vamos descobrindo o que aconteceu naquela noite, mas infelizmente, o filme não vinga. A adaptação preferiu se focar mais no mistério do que nos personagens e, acredito, esse foi o grande erro. Você não cria empatia pelos personagens para querer tanto saber o que aconteceu naquela noite e o mistério não é tão bem elaborado, a revelação fica óbvia em determinado ponto. Charlize Theron não é bem aproveitada, apresentando uma personagem rasa e fraca, o que é uma pena, acho que ela tinha capacidade de ter apresentado algo muito melhor se o roteiro tivesse sido construído de outra forma.

O segundo filme teve o caminho inverso, esperava muito pouco e me surpreendi. A primeira vez que vi a sinopse de Wild, cheguei a conclusão que nunca iria ver aquele filme. Parecia uma mistura de Na Natureza Selvagem com moralismo machista. Mas há algumas semanas vi elogios da obra, vindo de dois críticos de cinema, e acabei ficando curiosa. No filme, Reese Whiterspoon interpreta Cheryl Strayed, uma mulher que procura superar a morte da mãe e as consequências que tal perda trouxe em sua vida. Ela então decide realizar a Pacific Crest Trail, uma das trilhas mais difíceis dos Estados Unidos, que vai da fronteira do México até o Canadá. O filme é inspirado na autobiografia de Cheryl, o que torna a história ainda mais impressionante.

Eu não gosto muitos dos papéis da Reese Whiterspoon e nunca concordei com o Oscar que ela ganhou por Johnny e June. Acho ela muito fraca, mas em Wild ela se redime. Está maravilhosa, acho que foi a melhor interpretação que já vi da atriz e colocou por terra muitos preconceitos que tenho com ela. Ela consegue ir da estudante certinha, a drogada perdida e a mulher em busca de si mesma sem perder a essência da personagens nos diferentes momentos do filme.

O diretor Jean-Marc Vallée vai mostrando a história da personagem aos poucos, entre os quilômetros de trilha. Um Flashback aqui, outro ali, vamos montando o quebra cabeça e conhecendo Cheryl ao mesmo tempo em que ela reconhece a si mesma. Isso faz com que o telespectador entre neste jornada interna junto com ela, reflita junto.

Esperava um filme moralista, mas pelo contrário, encontrei um feminismo na produção que me surpreendeu. Não é porque a personagem principal se diz feminista, são nas pequenas coisas, como o encontro entre Cheryl com a outra única mulher na trilha, ou a conversa com uma vendedora de loja sobre higiene pessoal. Ou até mesmo a tensão de encontrar um homem no meio do nada, sem saber suas intenções. Cada momento vai construindo a história de forma simbólica e delicada. Eu nunca fui muito fã de ‘Na Natureza Selvagem’, gostava do filme, entendia sua proposta, mas ele não conversava com meu espírito. Wild conseguiu fazer isso.

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