A Redoma de Livro

Resenha

“Uma garota vive em uma cidade no meio do nada por dezenove anos, tão pobre que mal pode comprar uma revista, e então recebe uma bolsa para a universidade e ganha um prêmio aqui e outro ali e acaba em Nova York, conduzindo a cidade como se fosse o próprio carro. Acontece que eu não estava conduzindo nada, nem a mim mesma”

Foi esse trecho, destacado na contra-capa do livro, que me fez ler o livro ‘A Redoma de Vidro’, da escritora norte americana Sylvia Plath. O livro caiu como uma luva na minha vida, gostei tanto que é até difícil ser objetiva na hora de falar sobre ele.

Sabe quando você se identifica tanto com uma personagem que chega ser assustador? Foi o que aconteceu comigo e Esther Greenwood, uma jovem estudante universitária que ganha um estágio na importante revista feminina Ladies’ Day. Apesar de ter um emprego invejável, ela não se sente feliz e encontra-se totalmente confusa em relação ao futuro. Não deseja casar, ter filhos e não consegue escolher seu caminho profissional.

Realmente, é assustador se identificar com a personagem, tendo em vista que o livro descreve sobre sua doença mental. Não sabemos exatamente o que ela tem, mas fica subentendido que ela está tendo uma crise de depressão. Como a história é narrada em primeira pessoa, nós vamos vendo como cada ação que parece ‘sem sentido’ para quem não sofre da doença faz total sentido quando você se coloca no lugar da personagem, até mesmo os pensamentos suicidas.

Muitas pessoas dizem que o livro não deve ser lido por pessoas que estejam passando por um momento difícil na vida e eu consigo entender exatamente o motivo. Publicado em 1963, o livro fala sobre algo que a escritora conhece muito bem. Embora não seja um livro autobiográfico, muito das experiência pessoais da escritora aparecem na obra. Para quem não sabe, a autora cometeu suicídio um mês após a primeira publicação da obra.

Conversando com uns amigos, cheguei a conclusão que muitos dramas internos da personagem só seriam entendidos por outras mulheres. Um homem não conseguiria entender a pressão do casamento, a perda da virgindade, o medo de engravidar e ficar preso ao homem errado, entre outros conflitos internos que a personagem precisa aprender a lidar. Mas o livro é sensacional e deveria ser lido por todos, tanto pela poética da autora, quanto para entendermos sobre depressão, uma doença cada vez mais comum, mas que ainda temos dificuldade de compreender.

Eu li a edição do selo Biblioteca Azul, da editora Globo. Gostei muito da diagramação, fonte e e páginas da publicação, apesar de achar que a capa não é muito bonita.

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