5 séries feministas que valem a pena assistir

Nem sempre é possível se identificar com as personagens femininas em filmes e seriados, porque muitas vezes elas são ‘bidimensionais’ ou seja, são representadas por um estereótipo. Nisso temos a mulher gostosa, a mulher burra, a mocinha que precisa ser salva, a nerd que não tem namorado, etc. Nós mulheres ansiamos por personagens complexas, que tenham tramas bem desenvolvidas. Quando decidem fazer isso, temos produções melhores e personagens marcantes.

Por isso, decidi fazer uma lista de séries feministas, não apenas por apresentarem boas personagens do sexo feminino, mas por tocar em assuntos como casamento, aborto, filhos, estupro, religiões, etc. Essas séries mostram que é possível, sim, fazer entretenimento de qualidade, empoderando mulheres. Se você ainda não assiste uma dela, pode começar. Se já assiste, me abraça e vamos esperar juntas por novas temporadas!

É importante ressaltar que, mesmo as séries abordando temas feministas e tendo personagens femininas ‘fortes’, independentes e inteligentes, nem de perto temos uma boa representatividade das mulheres. Poucas dessas séries representam mulheres negras ou latinas, a maioria das séries ainda é para um feminismo branco de classe média. Mas cada uma destas série é um passo a frente na representação das mulheres na mídia.

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The Good Wife

Kalinda, Alicia, Diane. Com tanta mulher foda, é impossível não se apaixonar pela séria ‘The Good Wife’ que de boa esposa só tem o nome. A história começa com Alicia Florick, uma advogada, voltando ao mercado de trabalho após o marido, procurado do Estado, ser preso em um esquema de corrupção e prostituição. Alicia evolui no decorrer das temporadas, deixa de ser uma dona de casa submissa para ser uma empoderada advogada. Nem por isso, ela deixa de lutar internamente com seu desejos e as expectativas da sociedade. Mas é Alicia que toma as decisões, sempre, mesmo que você não concorde.

Na série temos também outras duas personagens sensacionais, a misterioso Kalinda e a determinada Diane Lockhart. Kalinda é uma das minhas personagens preferidas da televisão. É bissexual, tem problemas com intimidade, é inteligente, sagaz e consegue enganar da polícia até importantes traficantes. Diane Lockhart é uma poderosa advogada feminista que lida com mãos de ferro sua empresa de advocacia, tendo consciência do que é ser uma mulher em um ambiente masculino. Se você é um daqueles que nunca acreditou que um seriado chamado ‘A boa esposa’ pudesse ser feminista, reveja seus conceitos parça, e vá agora assistir The Good Wife.

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Orange is The New Black

Piper é uma mulher de classe média que é presa por ter ajudado a ex-namorada a transportar drogas há 15 anos. No presídio ela entra em contato com diversas mulheres, cada uma com sua história. Nós já falamos aqui sobre os motivos de Orange is The New Black ser um seriado feminista, mas sempre vale a pena ressaltar.O seriado é uma metáfora para a sociedade patriarcal em que vivemos, onde todos os personagens masculinos gozam do privilégio da liberdade. No passado das mulheres vamos lidando com questões como aborto, violência doméstica, drogas, entre outros. Temos aqui mulheres de todas as raças, crenças e formatos. E esse é um dos principais trunfos da série. Diferente de The Good Wife ou Orphan Black, aqui temos mulheres gordas, magras, negras, brancas, latinas, asiáticas, lésbicas, héteros, religiosas, atéias e até uma mulher trans. Palmas para a representatividade.

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Orphan Black

O feminismo em Orphan Black também já foi defendido aqui no blog. Com uma trama envolvente e frenética de ficção cientifica, conhecemos a golpista Sarah Manning, que vê uma mulher igual a ela se suicidar na estação de trem. Ela então decide roubar sua identidade e descobre que na verdade é um clone. Agora ela precisa se unir a suas ‘irmãs’ para lutar contra cientistas, militares, fanáticos religiosos e até um serial killer. Toda a trama fala da autonomia das mulheres e o direito de ser dona do próprio corpo, dois assuntos bem feministas. Todas as personagens são complexas, vemos como existem diferentes tipos de mulheres, não apenas a ‘santa’ ou a ‘meretriz’.

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Girls

Há controversas se a série Girls, da HBO, chega a ser feminista. Entre as desventuras de Hanna e suas amigas, que procuram ser mulheres independentes de Nova York, mas sem o glamuor de Sexy and The City, nós vemos que boa parte da trama das personagens é desenvolvida através de sua vida amorosa. Temos Marnie e seu namorado de anos que ela não sabe se ainda quer, Hanna e um relacionamento algumas vezes abusivo com Adam, Jesse tentando não se envolver com seu chefe, Shoshana querendo perder a virgindade… Tudo gira em torno de homens.Mas ao mesmo tempo, temos dramas que não seguem essa linha, o feminismo está nos detalhes. É Hanna, uma protagonista que não faz parte do padrão de beleza da mídia, ficando nua e fazendo sexo sem pudor. É Jesse decidindo fazer um aborto logo nos primeiros episódios da série. É Marnie decidindo seguir seu sonho de se tornar cantora. Girls levanta uma bandeira feminista, mas não da forma convencional que vemos por aí, com personagens fortes e decididas. Ela levanta a bandeira, exatamente pelo oposto, mostrando personagens neuróticas, autodestrutivas e inseguras. Pessoas com defeitos, como todos os seres humanos.

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Unbreakable Kimmy

Kimmy Schmidt é uma mulher de 29 anos que mora há 15 anos dentro de um bunker pensando que o mundo havia acabado, mas é resgatada logo no inicio do seriado. Ela então vai morar em Nova York, trabalhando de babá na casa de uma família rica e dividindo apartamento com Titus, um ator gay e negro que sobrevive de pequenos bicos. Com a personalidade de uma adolescente, Kimmy precisa conhecer um mundo muito diferente e, por isso, acaba não se adequando há algumas regras. Esse é o único seriado que ainda não terminei de assistir (estou na metade de primeira temporada), mas ele brinca com alguns preconceitos em piadas muito inteligentes. As criticas feministas não está na história, mas em piadas bem colocadas, criticando o status quo. Se você não presta atenção, pode até perder. Kimmy vai empoderando mulheres a sua volta e mostrando que todas elas são inquebráveis.

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Bônus: Veronica Mars

Faça uma série com mistério e adolescentes e você ganha meu amor eterno. Não precisa muito mais do que isso para me fazer ficar ansiosa para novos episódios, é até vergonhoso. Foi assim que eu comecei a assistir a série Veronica Mars, mas foi a personagem titulo que encantou. Verônica resolve mistérios, prende bandidos, invade computadores e tem uma hacker como melhor amiga. Logo no primeiro episódio descobrimos que Verônica perdeu a virgindade através de um estupro. Esse é apenas um dos vários assuntos feministas que são abordados por essa garota que não tem papas na língua. Verônica até pode ter alguns homens querendo defendê-la, mas é ela que salva os marmanjos no dia a dia. Ela se opõe ao sistema. A série tem alguns problemas com personagens estereotipados (latinos, negros e até feministas), mas no final das contas sabemos que a personagem está do nosso lado na luta contra o patriarcado.

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Vocês conhecem outras séries que podem ser consideradas feministas? Me apresentem! Deixem suas sugestões no comentários. Como boa viciada em série, eu definitivamente vou assistir.

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