Orphan Black e o empoderamento das mulheres

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Qualquer história que tenha personagens femininas com tramas bem desenvolvidas ganha meu coração imediatamente e foi isso que fez eu me apaixonar por Orphan Black, uma série  canadense de ficção científica da BBC Americana. A história começa quando Sarah Manning, uma golpista, vê uma mulher igual a ela se suicidar. Precisando de dinheiro, ela decide roubar a vida de Elizabeth Childs, uma detetive de polícia. Ao poucos, Sarah descobre que ela e a falecida compartilham o mesmo material genético: são clones. Assim como elas, muitas outras existem e estão sendo assassinadas por um misterioso serial killer.

Na série, a atriz Tatiana Maslany interpreta pelo menos oito personagens diferente, mostrando uma atuação e versatilidade incrível. Mas não é apenas por causa dela que a série ganhou meu coração, mas por colocar personagens femininas como heroínas (e vilãs) em uma trama envolvente e frenética, abordando um tema bem feminista: a autonomia das mulheres.

orphan-black-sarah-season-3-character-poster-570x855As duas primeiras temporadas seguem um ritmo intenso, com poucos momentos para ‘respirar’. São perseguições, revelações, reviravoltas e surpresas a cada cena. As mulheres de ‘Orphan Black’ não precisam de homens para resolver seus problemas, muito pelo contrário. O principal objetivo de Sarah não é viver em paz com seu ‘príncipe encantado’, mas salvar sua filha.

A série é feminista e com louvor. Toda a trama de ficção científica e clonagem são metáforas sobre o empoderamento da mulher e o direito de ser dona do próprio corpo. Sarah dizendo ‘É minha biologia, meu corpo, eu tenho que decidir isso’ é um grito feminista.

As clones precisam lutar contra cientistas, que querem controlar suas vidas, ou religiosos fervorosos, que querem ‘salvar suas almas’ e usá-las para procriação. A procriação, por sinal, é um assunto recorrente na série. É tanto que as únicas clones que podem ter filhos são perseguidas e usadas como experimentos, todos desejam controlá-las. E são elas, ironicamente, as mais incontroláveis. Vemos também como cada clone faz concessões de sua autonomia para ter liberdade, segurança ou privacidade. Basicamente, a vida de toda mulher nessa nossa sociedade patriarcal.

É bonito também ver o conceito de sororidade colocado em prática na série, onde todas as clones se chamam de irmãs e tentam ajudar umas as outras, sejam em problemas grandes envolvendo os vilões da série, ou em coisas pequenas, como dar uma festa no subúrbio. As personagens com frequência precisam se colocar no lugar da outra e, assim, entender as diferentes realidades em que vivem. É como Sarah, que detesta o modo de vida de Alison, mas que ao se colocar em seu lugar defende a irmã.

orphan-black-alison-season-3-character-poster-570x855As mulheres de Orphan Black são empoderadas e lutam, todos os dias, por sua autonomia. Pelo direito de suas escolhas, sejam elas boas ou ruins. E não aceitam a desculpa ‘é para o seu bem’ para que as outras pessoas decidam suas vidas. Quando uma personagem decide ‘vender’ uma das irmãs de Sarah para protege-la, ela categoricamente responde “Não é sua escolha”. Essa resposta, por sinal, é dada várias vezes na série, em diversas situações. “Não é sua escolha” é uma ótima resposta para se dar as pessoas que são contra a legalização do aborto, por exemplo.

A série também questiona os diferentes caminhos que uma pessoa pode seguir, dependendo de suas escolhas e oportunidades na vida. Sarah é um golpista que foge de um relacionamento abusivo, Cosima é uma inteligente cientista bissexual, Helena é uma perturbada sociopata, Alison é uma mãe de subúrbio passivo agressiva que faz o que é necessário para proteger sua família, Rachel é uma dominadora empresária que pretende subjugar as outras clones, entre tantas outras personagens que aparecem esporadicamente durante a trama. O eterno dilema de biologia x meio é debatido de uma forma não didática durante a série.

Recorrentemente ouvimos alguém falar para Sara “Essa poderia ter sido você, se tivesse terminado o colegial e ido para a faculdade”. Mas, mesmo assim, todas têm o seu valor, seja a força, a inteligência, a liderança, a sagacidade, o bom coração, etc.

Todas as personagens são complexas, cheias de camadas exploradas durante a série. Nenhuma personagem é completamente boa ou ruim. Talvez por isso seja tão fácil se identificar com elas, até mesmo as vilãs. A série já vai para a quarta temporada e estou morrendo de ansiosidade. No Netflix é possível assistir as primeiras duas temporadas e no Popcorn Time você assiste a terceira. Para quem ainda não assistiu a série, vejam o trailer e se apaixonem.

Para ler mais sobre o assunto:

Os homens de Orphan Black Orphan Black: é possível fazer diferente As muitas faces de Orphan Black Orphan Black, uma série empoderadora

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