A invisibilidade dos bissexuais

bissexuais-acreando

Bissexuais: Onde vivem? O que comem? Como se reproduzem?
Descubra hoje no Globo Repórter neste blog.

Já fazia algum tempo que eu queria escrever sobre bissexualidade.  Desde que descobri o The Gay Women Channel, um canal no youtube voltada para o público lésbico, percebi que muitas das minhas experiências de vida eram diferentes das histórias contadas nos vídeos. Mesmo me relacionando com outras mulheres, existem coisas que não me identifico. Ao mesmo tempo, muitas questões que fazem parte do meu cotidiano simplesmente não acontecem com lésbicas.

Isso me impulsionou para pesquisar mais sites e vídeos sobre bissexualidade e descobrir, sem muita surpresa, que este tipo de informação ainda é muito limitada. O número de sites específicos para esse público é muito menor e normalmente está relacionado com sites gays ou lésbicos. Então decidi fazer uma série de textos abordando o tema da bissexualidade. Não sou nenhuma especialista nas questões de gênero, então todos os conteúdos vão ser baseados nas minhas vivências.

Por isso, os rapazes bissexuais podem não se sentir contemplados em alguns pontos, pois irei usar durante os textos exemplos e visões da bissexualidade feminina. Se algum homem bissexual quiser escrever um texto específico sobre sua experiência, só entrar em contato.

Para começar, quero falar sobre a invisibilidade dos bissexuais. Isso não decorre apenas da falta de informação ou espaços específicos na internet, é uma prática cotidiana. As pessoas simplesmente não acreditam que bissexuais existem e nós precisamos, constantemente, validar nossa sexualidade. Algo que, muitas vezes, não acontece se você é lésbica, gay ou hétero.

É comum as lésbicas escutaram ‘Mas vocês são lésbicas mesmo? Provem!” de homens idiotas na baladas, mas elas nunca vão ter sua sexualidade questionada por outras lésbicas ou gays. Mas se você é bi, qualquer um pode duvidar da sua orientação sexual, até mesmo membros da comunidade LGBT.

Isso apenas piora em uma relação amorosa. Se você começa a se relacionar com uma mulher, é como se finalmente tivesse ‘saído do armário’. Se o relacionamento terminar, toda a experiência pode ser vista como uma ‘experiência ‘ ou ‘aventura’, principalmente se você decidir se relacionar com um homem depois.

É como se você tivesse que colocar suas relações em uma balança e ficar exatamente com a mesma quantidade de homens e mulheres, se não, simplesmente não é considerado pelos outros como bissexual. Mas não é assim que a vida segue, você não escolhe por quem vai se apaixonar, ou o gênero dessa pessoa. Ter mais relações com um determinado gênero não te faz mais ou menos bissexual.

Estar relacionado com um determinado gênero também não faz com que você não sinta atração pelo outro, você só terá que optar entre ter um relacionamento exclusivo ou não, como qualquer pessoa. E não, bissexuais não necessariamente preferem o políamos. Mas isso é assunto para um outros post.

É difícil fazer parte de uma comunidade (a LGBT) que não te reconhece ou aceita completamente. Claro que bissexuais também encontram muito amor nesse grupo, mas parece que são vistos como menores dentro do movimento. É como se o restante da comunidade acreditasse que iremos ‘virar héteros’ para ter os privilégios da sociedade assim que precisarmos, quando na verdade, é o contrário. 

Em outros textos vou abordar melhor os dramas que nós, bissexuais, precisamos enfrentar. Questionamentos que são levantados por héteros ou homossexuais, dúvidas, inseguranças, descobertas, etc.

Para quebrar (um pouco) essa invisibilidade bissexual, vou me apresentar.

Prazer, meu nome é Veriana. Sou bissexual. Não gosto de escutar Ana Carolina ou Maria Gadu, mas adoro gatos. Amo música pop, mas não tenho paciência para acompanhar esse mundo. Ainda estou aprendendo a me maquiar e não suporto salto alto. Não estou confusa. Não estou indecisa. Não sinto falta de nada.

Eu existo.

Para saber mais sobre a invisibilidade bissexual, dá uma olhada nesses textos:

http://blogueirasfeministas.com/2014/09/invisibilidade-bissexual/

http://blogueirasfeministas.com/2014/09/meg-barker-um-circulo-vicioso-de-invisibilidade-bi/

http://biscatesocialclub.com.br/2014/09/sou-bissexual-nao-sou-indecisa/

http://www.bisides.com

Anúncios

Uma resposta para “A invisibilidade dos bissexuais”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s