Hot girls wanted: O angustiante documentário sobre atrizes pornôs

O documentário ‘Hot Girls Wanted’ dirigido por Ronna Gradus e Jill Bauer, produzido pela atriz Rashida Jones, me deixou com um embrulho enorme no estômago. Na verdade, até agora não sei exatamente o que pensar sobre a produção, é um sentimento bem ambíguo. Sou super a favor da libertação sexual das pessoas, inclusive das mulheres, e não acho legal tratar qualquer tipo de profissional do sexo como coitadinha ou escória da sociedade. Não acredito que filmes pornôs sejam coisas desprezíveis e odiosos, mas me incomoda muito a forma como as mulheres são vistas como descartáveis e, muitas vezes, enganadas para entrar no ramo.

Isso fica ainda mais evidente durante o documentário, quando descobrimos que a carreira de uma atrizes pornô costuma ser de três a seis meses no segmento de filmes amadores. Para continuar no ramos, elas precisam aceitar trabalhos cada vez mais humilhantes e ultrapassar os próprios limites do que acham ‘aceitável’.

Quando digo que elas são enganadas, não é que elas vão achando que serão atrizes normais e descobrem no lugar que irão ser atrizes pornôs. Elas já sabem em quais tipos de filme vão atuar, mas são seduzidas por uma vida ‘glamurosa’ e uma ‘liberdade’ que não é real e, muitas vezes, acreditam que será um trabalho de longo prazo, mas descobrem que a vida ‘no ramo’ é muito curta. A forma de aliciamento também é bem duvidosa, elas descobrem os anúncios através de chamadas como ‘passagem para Maiami de graça’ ou coisas do tipo. Então, até que ponto elas estão realmente fazendo uma escolha? Até que ponto adolescentes de 18 anos em busca de dinheiro fácil e fama estão ciente das consequências dessa escolha? E por que essas consequências precisam ser tão ruins na nossa sociedade? Esses são alguns dos questionamentos que fiquei durante o filme, e não, eu não tenho respostas. Apenas angústias.

Acho que, no final das contas, é isso que o filme faz, ele não te dá respostas prontas, apenas angústias e questionamentos. Se por um lado você tem a moça do interior dos Estados Unidos que larga a vida como atriz pornô por causa da pressão dos país e do namorado (uma pressão que também me incomodou, como se ela fosse indigna se ser filha ou namorada por exercer essa profissão), você tem garotas que não fazem isso. Se por um lado você vê garotas que estão felizes trabalhando como atrizes pornôs, existem outras que não se sentem a vontade com as impossições do mercado, mas aguentam, porque é trabalho.

Para mim, a pior parte foi ver uma indústria que glamouriza caras muito mais velhos pegando adolescentes (alô pedofília!) ou descobrir a existência de um segmento muito popular em que homens humilham mulheres durante o sexo, batendo nelas, xingando e até obrigando elas a comerem o próprio võmito após um oral violento (misóginos!), Esse tipo de conteúdo não deveria existir. Acho muitos difícil um homem que vê esse tipo de produto não tentar transportar, de alguma forma, para o mundo real. Mas não acredito que os pornôs produzem caras assim, são um reflexo da sociedade. Esse tipo de comportamento não pode ser visto como aceitável e esse tipo de conteúdo deveria ser visto como discurso de ódio contra mulheres, não como liberdade de experessão ou da sexualidade.

De qualquer forma, acho bom o filme mostrar garotas que são muito comuns e você consegue se relacionar. As melhores cenas são quando elas estão juntas conversando, rindo e se divertindo umas com as outras. Existe um clima de companherismo no filme que me conforta bastante. É triste como nos filmes pornôs as mulheres são colocadas como mercadorias e o documentário mostra pessoas reais.

Acho que é um filme para leigos, como eu, que não entendem nada sobre a indústria pornô. Acaba pegando alguns ‘clichês’ para contar a história e sensacionalisando em alguns pontos. Eu li uma crítica muito interessante na Vice que apontava vários erros e falhas no filme, acusando a produção de reforçar estereótipos sexuais. Concordo com algumas críticas, discordo de outras, mas é uma leitura importante após o documentário. Ainda assim, acho que é um filme que vale a pena assistir. Só para lembrar, ‘Hot Girls Wanted’ está disponível na Netflix.

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