Saudade, amizade à distância e corações viajantes

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Eu costumo ter amizades longas, cheias de histórias e memórias, mas desde muito cedo fui acostumada à distancia. Veja bem, muitos dos meus amigos de infância foram embora do Acre. Vi pessoas importantes partirem por diversos motivos: escola, trabalho, família. Em alguns momentos me senti sozinha, porque parecia que meus melhores amigos estavam indo embora. Quanto mais próxima era a relação com uma pessoa, maior era a probabilidade dela partir. Com as redes sociais ficou mais fácil manter as amizades à distância, com horas trocadas através do gtalk, facebook, skype e whatsapp.

Quando finalmente tinha formado um grupo de amigos para todas as horas… Chegou a minha vez de ir embora. Agora sou eu que estou do outro lado da tela, vendo os meus amigos através de fotos postadas nas redes sociais, e é muito estranho.

Eu imaginei que sentiria falta dos meus amigos ao morar fora, mas esperava algo totalmente diferente. A ausência deles fica evidente nos momentos mais divertidos, mas que parecem incompletos. É ir no show da Tiê e pensar naquela amiga que deveria estar ali do meu lado. Aquele era um show para vermos juntas. Ou então ir na Parada Gay e sentir falta dos comentários sarcárticos do meu grupo de amigos, como se tivesse quebrado uma tradição particular. É descobrir um bar novo e pensar “Fulano iria adorar esse lugar” e não poder compartilhar com ele a nova descoberta, no máximo mandar uma foto, o que não é a mesma coisa.

A falta também é grande quando percebo que estou perdendo momentos. É não aparecer na foto de aniversário, não abraçar o amigo quando ele ganha uma promoção, não estar naquele churrasco de fim de semana. É ver todo mundo combinando de se encontrar no grupo do whatsapp e não poder responder “chego em 10 minutos”.

Para quem construiu sua vida em um lugar só, como eu, é estranho olhar em volta e não ver seus amigos. Lembro que, quando morava no Acre, sentia preguiça de ir aos lugares de ver ‘sempre as mesmas caras’. Ansiava ir em lugares em que as pessoas não me conheciam. A gente só esquece que, quando as pessoas não te conhecem, você também não conhece ninguém. Por mais legal que seja dançar sozinho, depois de muitas músicas você sente vontade de ter com quem compartilhar e cantar junto.

Mas como diz um amigo meu “a vida é feita de escolhas” e eu escolhi conhecer o mundo. A minha vontade de ver coisas novas ainda é maior do que meu desejo de fincar raízes e estar com as pessoas que amo. Meu coração não se completa parado, precisa de movimento.

Então, sigo participando da vida de algumas pessoas de forma online, ao mesmo tempo que vou adicionando novos rostos aos meus ‘amigos no facebook’, esperando que as relações fiquem cada vez menos virtuais pelas bandas de cá. Desejo ver qual o próximo lugar e pessoas incríveis que a vida me apresenta. Afinal de contas, já estou acostumada a manter relações à distância.

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3 Replies to “Saudade, amizade à distância e corações viajantes”

  1. Oi vc está pelas bandas aqui de BH? sou do Acre tmbm e tenho essa mesma sensação de estranheza rsrsrs…Podemos nos encontrar se vc estiver por aqui, que vc acha? Angrea

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