Malala: A garota que nunca se calou

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“Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”. Essa famosa frase foi proferida por Malal Yousafzai em seu discurso a Organização das Nações Unidas no dia 12 de julho de 2013, no seu aniversário de 16 anos. Nove meses antes ela lutava entre a vida e a morte, após sofrer um atentado de extremistas do Talibã. Nesta época Malala já era famosa por sua luta pela educação de meninas no Paquistão. O tiro que pretendia silenciar para sempre sua voz expendiu sua batalha e a deixou famosa em todo o mundo

No último domingo (12), Malala comemorou seu aniversário de 18 anos inaugurando uma escola no Líbano para garotas sírias refugiadas. Muitos a conhecem por ser a mais nova ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, em 2014, mas poucos sabem os detalhes de sua trajetória antes de ter atingida por um tiro. No livro “Eu Sou Malala”, publicado pela Companhia das Letras, vamos descobrindo como a garota cresceu, sua criação e educação e como sua principal diferença com as colegas de escola era sua liberdade para falar.

O nome da jovem é emblemático, inspirado na heroína do Afeganistão Malalai de Maiwand, que inspirou o exército a derrotar os britânicos na segunda guerra anglo-afegã de 1880. Malalai juntou-se a outras mulheres e foi para o campo de batalha, para cuidar de feridos. Lá viu que os afegãos estavam perdendo e que o porta bandeira caiu, ela então levantou seu véu branco e avançou no campo. Os britânicos mataram Malalai, mas os afegãos venceram os colonizadores. Seu avô tinha medo que o nome fosse lhe trazer má sorte e uma vida curta. A história quase se repetiu na vida da jovem.

No livro, também conhecemos seu pai, um homem que acreditava no poder da educação e tinha como sonho construir escolas para meninos e meninas no vale de Swat. Descobrimos também sobre a mãe de Malala, uma mulher muito religiosa e analfabeta, com uma força e compaixão inabalavél, que sempre abria sua porta aos desafortunados e alimentava os alunos mais humildes da escola do marido para que eles pudessem se focar nos estudos.

Malala costuma dizer que sua história não é única, acontece todos os dias com meninas em todo o mundo. Isso fica ainda mais evidênte no livro, ao mesmo tempo que sua bondade e sua perseverança se destacam. Ela não é extraordinária por fazer coisas sensacionais, é uma jovem comum que gosta de ler, estudar e é boa oradora. Como muitas de suas amigas que ela competia pelas melhores notas na escola.

Ela teve a possibilidade e a liberdade de contar a sua história. O pai de Malala é um cara extraordinário, que luta com muita coragem contra o Talibã e firme em seus ideais. Malala é fruto dessa criação. Ele queria educar o vale, mas Deus tinha uma missão muito mais importante: Ele deveria criar Malala. Se não fosse por sua criação e apoio, não poderia ter existido uma Malala.

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Quantas Malalas são silênciadas pela falta de apoio em suas casas? Quantas Malalas deixam de estudar porque seus pais acreditam que o casamento é a única maneira decente de viver? Ou as tiram da escola? Quantas Malalas não podem escolher sua profissão?

Ao final do livro, eu estava em lágimas. A história de Malala sempre me emociona e estou esperando ansiosamente pelo documentário ‘He Named Me Malala’ que será lançado no dia 2 de outubro no exterior e 19 de novembro no Brasil. Fico feliz de existir uma pessoa como ela para inspirar meninas em todo o mundo.

O livro é maravilhoso para entendermos não só a história de Malala, mas do vale de Swat, Paquistão, Talibã e as guerras na região. Algumas vezes a leitura é difícil, porque não estamos acostumados com a história desses lugares. Até os nomes parecem confusos, não fazem parte de nossa realidade. O livro tenta explicar tudo de forma didática, mas eu ainda tenho dificuldade para entender os conflitos no oriente médio.

O mais importante é a mensagem transmitida, que precisamos levantar nossas vozes nos momentos mais difíceis. Quantos de vocês se calariam ao serem ameaçados de morte? Malala teve medo, mas não parou de ir a escola. Não parou de estudar. Não parou de discursar.

Malala nunca se calou, e por isso tentaram calar ela. Devemos nos espelhar na coragem dessa garota e nunca nos calarmos diante das injustiças. O mundo está cheio de causas para se lutar, mas não com armas e balas. Como diz Malala, uma criança, uma caneta, um professor e um livro: Isso pode mudar o mundo.

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