“Please don’t let me be misunderstood”

O ser humano é complexo, mas Nina Simone era muito mais. No documentário ‘What Happened, Miss Simone?’ produzido pela Netflix, com direção de Liz Garbus, conhecemos as várias facetas dessa mulher incrível. “As pessoas pensam que quando minha mãe subia ao palco, ela se tornava a Nina Simone. Ela era a Nina Simone o tempo inteiro, e foi isso que se tornou um problema” diz sua filha logo no começo do documentário, nos preparando para o que iremos descobrir. Ao mesmo tempo que brilhava como cantora e ativista dos direitos civis, Nina tinha uma vida pessoal conturbada devido a uma doença mental e um relacionamento abusivo com o marido. 

Um dos meus objetivos do Projeto Córdoba é assistir um filme por dia, o documentário sobre a cantora faz parte dessa meta. Já tinha ouvido ótimos comentários e estava bastante curiosa. Nesse texto maravilhoso, escrito pelo jornalista Austin Bryant (e traduzido por Thiago Silva) você descobre ainda mais sobre essa mulher icônica.

3047893-slide-s-3-what-happened-miss-simoneEm termo de linguagens cinematográficas, o filme segue uma linha bem conhecida de documentário, contando a história praticamente de forma cronológica. Mas a história de Miss Simone não precisa de muito, sua vida é tão intensa que não é necessário ‘firulas’.

Eunice Kathleen Waymon, que mais tarde seria conhecida pelo seu pseudônimo de Nina Simone, desde cedo toma conciência de sua condição como mulher negra e é isso que molda sua vida. Ela sonha em ser a primeira pianista clássica negra dos Estados Unidos. Apesar de toda a fama, se ressente por não ter conseguido atingir esse objetivo e acaba encontrando conforto nas lutas civis.

Com sua música “Mississipi Goddam”, escrita após o bombardeio de uma igreja que matou quatro crianças negras em Birmingham Alabama, ela choca os Estados Unidos. Naquela época ninguém usava palavrões em suas canções ou falava sobre a morte de negros, mas essa mulher corajosa decidiu que não iria ficar calada. Foi exatamente sua luta pelos direitos civis que foram sua decadência no mundo do entretenimento. Ninguém queria contratar alguém para cantar sobre os problemas nos negros.

Intensa, violenta (e violentada), solitária, rígida, corajosa. Essas palavras definem Nina Simone e ao mesmo tempo não conseguem descrever essa pessoa expetacular. “Liberdade para mim é isto: não ter medo”, dirá Nina no documentário, entre vídeos antigos.

Não quero falar muito para não estragar as surpresas do filme, mas se você for mulher, vale a pena assistir. Se for negro, vale a pena assistir. Se você sofre com doenças mentais, vale a pena assistir. E se não lida com nenhuma dessas realidades, você tem a obrigação de assistir. Em cada parte da história, vamos aos poucos, tentando entender o que significa ser Nina Simone.

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