O amor

L’amour, hum hum, pas pour moi
Tous ces “toujours”
C’est pas net, ça joue des tours
Ca s’approche sans se montrer
Comme un traître de velours
Ca me blesse, ou me lasse, selon les jours

O amor, hum hum, não foi feito para mim
Todos esses “para sempre”
Não são claros, são instáveis
Chegam sem se mostrar
Como um traidor disfarçado
Machuca-me ou cansa-me, dependendo do dia

(L’amour, Carla Bruni)

Por muito tempo eu achei que o amor não era para mim. Nunca acreditei em ‘para sempre’. Nunca pensei que duas pessoas ficariam juntas até que a morte as separem (a não ser que uma delas morra muito cedo). Quando me perguntavam sobre minha vida adulta eu me imaginava como uma jornalista, morando sozinha em um apartamento com um gato. Não sonhava em ser casada, com filhos em uma casa de cerca branca. Eu nunca pensei no meu vestido de noiva ou no meu casamento. O amor nunca foi para mim.

Passei boa parte da minha adolescência fugindo de relacionamentos. Tive um namorado aos 13, que foi tudo muito bonitinho, mas na verdade éramos mais amigos do que um casal.

Acho que acabei fazendo muitas pessoas sofrerem por acreditar que tinha uma ‘incapacidade de amar’. Eu não queria relacionamentos amorosos e enjoava muito rápido de qualquer relação romântica com outra pessoa. Não gostava de expor meus sentimentos íntimos e passei muito tempo acreditando que se alguém descobrisse quem estava atrás da máscara, saíria correndo.

Mas, inevitavelmente, a gente acaba se apaixonando. E quando isso finalmente aconteceu, eu senti aquele amor em todas as partes do meu corpo. Vivi uma história digna de novela da Globo e dei uma importância exacerbada para tudo aquilo, como é qualquer primeiro amor. Então me agarrei em um relacionamento que não me fazia bem por mais tempo que deveria por acreditar que eu nunca seria capaz de amar outra pessoa. Não porque aquela pessoa era maravilhosa, mas porque eu era danificada para amar.

Acho que deve ser assim com qualquer adolescente, eu que só fui viver isso na fase adulta. O que me modificou, na verdade, não foi a minha primeira paixão, mas a segunda. Foi ela que me fez acreditar que eu era capaz de amar outras pessoas. Quando esta relação também acabou, eu percebi que a minha dificuldade não era amar de menos, mas o contrário, eu amava demais.

Eu demorava para me apaixonar, porque quando isso acontecia, eu vivia aquele sentimento com todas as forças do meu ser. Eu demorava a me apegar as pessoas porque após o fim não era nada fácil desapegar. Eu relutava em dizer ‘eu te amo’ porque não jogava palavras ao vento, eu realmente sentia tudo o que aquele sentimento significa. Eu me importo demais com o amor para fingir um sentimento que não existia.

Neste Dia dos Namorados, estou solteira e não estou apaixonada, e sinceramente? É maravilhoso. É muito bom estar apaixonada, mas também é incrível estar sozinha (e aproveitar isso).

Não estar apaixonada só me faz ter ainda mais carinho pelas memórias amorosas que tive ao longo dos anos. Só me faz guardar o coração feito de flor de jambo, os poemas sobre amoras, os telefones interurbanos no meio da noite, os presentes trocados por correio, as surpresas batendo na porta de casa, os segredos contatos no quarto escuro, o escurinho do cinema, os olhares apaixonados, ou seja, as lembranças que me trouxeram até aqui. Boas e ruins.

Com o tempo eu também aprendi que o amor não precisa ser eterno para ser amor. Ele pode ser o ‘tempo em tempo’. Ele pode ter prazo de validade. Ele pode durar dois anos, quatro meses ou uma única noite. Aquela frase célebre de que seja ‘eterno enquanto dure’ é a mais pura verdade.

Não sei quando voltarei a me apaixonar, e quais os aprendizados que vou tirar dessas novas paixões. Por enquanto estou enamorada por Belo Horizonte, e isso me basta.

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