Como é ter apenas 4 amigos em uma cidade

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Esses dias queria sair e não tinha companhia. Fiz uma lista mental de todos os amigos que tinha na cidade e poderia chamar para sair. Cheguei a conclusão que existiam apenas quatro pessoas. Para meu azar, elas estava todas ocupadas. O que foi que fiz? Sai mesmo assim. Essa mania de fazer viagens sozinhas me deixou calejada para esse tipo de momento, mas esse dia me fez refletir como é ter um ciclo tão pequeno de amizade.

Morar em um lugar que você conhece poucas pessoas é totalmente diferente de passar férias em um lugar que você conhece poucas pessoas. Se você vai ficar apenas uma ou duas semanas, seus poucos amigos se preocupam em mudar o cotidiano deles para tentar te incluir nas atividades. Eles sabem que só vão poder te aproveitar por apenas alguns dias. Já quando você vai morar no lugar, as pessoas ainda querem aproveitar sua companhia, mas antes elas precisam trabalhar, ir a faculdade, participar daquele evento social chato… E você não faz parte desta rotina.

Quando decidi morar em Belo Horizonte, o fato de ter amigos na cidade era algo tranquilizador para minha família, mas também reconfortante para mim. Ter pelo menos uma cara conhecida é algo que acalma quando você pensa em todas as coisas novas e desconhecidas que vai precisar lidar.

Sempre fui uma pessoa muito social e sociável, apesar de um pouco introspectiva (e tímida em certa medida, apesar dos meus amigos não acreditarem). Eu gosto de ver pessoas e interagir com elas. No Acre, se quisesse sair, tinha uma quantidade grande de pessoas que poderia ligar. Mesmo que elas estivessem ocupadas, eu sabia, com todas as forças do meu ser, que se eu saísse sozinha iria encontrar algum conhecido. O que podia ser uma benção ou uma maldição.

Aqui eu não tenho essa certeza. Isso é ao mesmo tempo revigorante e assustador. Muitas vezes eu reclamei de ver sempre as mesmas pessoas em Rio Branco. Aqui, eu tenho que lidar com a minha própria companhia e essa multidão de desconhecidos. Isso pode ser uma coisa boa ou ruim, dependendo do meu estado de espírito. Da mesma forma que era no Acre. Acho que é assim em qualquer lugar, depende muito mais do nosso estado emocional do que o ambiente em volta.

Mas o que aconteceu no dia que eu saí sozinha? Irônicamente eu encontrei um rapaz que havia conhecido uma semana antes no karaoke da Rio de Janeiro e passamos a noite conversando. Sim, a gente também acaba esbarrando com conhecidos pelas bandas mineiras – até eu, que conheço tão poucas pessoas.

Isso me lembra que no meu primeiro fim de semana na cidade sai para uma festa e ao chegar ao lugar pela primeira vez, com um grupo de pessoas que eu ainda estava tentando decorar o nome, fui apresentada para um rapaz que me olhou e disse “Eu te conheço. Você é amiga da fulana do Acre, né?”. Foi quando me lembrei que háviamos sido apresentados em 2010, durante um congesso de comunicação, por uma amiga que morou um tempo em Belo Horizonte.

Ontem saí com uma amiga (um dos quatro na cidade), depois de algumas horas conversando no Maletta vi um rapaz conhecido. Era uma das pessoas que tinha saído no meu primeiro fim de semana na cidade, um dos poucos que havia decorado o nome. Nos abraçamos e tivemos uma conversa breve. Aos poucos, o número de conhecidos aumenta.

Dessas histórias tiro uma lição: aparentemente ver gente conhecida no Maletta ou na Gruta é tão fácil quanto encontrar aquele povo que está sempre no Loft. A maior diferença é que agora não tem o Alê tocando Oasis no fundo.

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