Joan Clarker e o Jogo da Imitação

Muito depois do Oscar, eu finalmente tive tempo para assistir o ‘Jogo da Imitação’ neste fim de semana. Cinéfila assumida, eu ignorei o filme até o dia da premiação, achando que seria um filme chato de espiões, guerra e super gênios. Ele é isso, mas também é sobre minorias e preconceito. Não apenas com gays e mulheres, mas com todo ser que é diferente.

Antes de tudo, para quem não sabe, o filme conta a história real de Alan Turing, um matemático inglês que conseguiu construir uma máquina que podia quebrar o código dos nazistas e assim possibilitou que os Aliados ganhassem a Segunda Guerra Mundial. Sim, ele é o responsável pelos computadores que usamos hoje em dia.

Gostei muito do filme, por vários motivos. A fotografia, música, roteiro e atuações merecem o destaque que recebeu, mas muitos filmes bem produzidos tem esses mesmas qualidades. O que me tocou na história foram dois personagens (reais): Alan e Joan Clarke.

Tenho certeza que muitas pessoas ficaram imensamente tocadas com a história de Alan, um gênio que tirou a própria vida porque foi obrigado a fazer castração química para não ir para a cadeia por um crime hediondo que cometeu: ser gay. Claro que sou sarcástica no hediondo, mas acredito que muitos conservadores de hoje ficariam felizes que essa lei ainda existisse. O filme mostrar exatamente isso, como o preconceito pode matar pessoas extraordinárias.

Eu também fiquei muito emocionada com essa parte da história e foi só depois de descobrir que o filme abordaria o preconceito em relação a homossexualidade de Alan que me interessei em assisti-lo. Mas a minha maior surpresa foi descobrir a Joan.

Não sou a maior fã da atriz que interpreta essa personagem, mas todas as falas e cenas de Joan foram tão fortes e tocantes durante o filme, que foi impossível não aplaudir a indicação de Keira. Para mim, o momento mais emblemático do filme está exatamente na apresentação da personagem, quando ela chega para a seleção de emprego para trabalhar com a equipe de inteligência. No filme, Alan coloca um jogo de palavra cruzado no jornal e quem conseguisse responder em menos de dez minutos seria candidato para um vaga na equipe. Ao entrar na sala para participar da seleção, Joan é barrada. Ela tenta argumentar que está se candidatando para a vaga da palavra cruzada, mas o soldado pergunta se ela teve algum tipo de ajuda para resolver o jogo. É então que Joan questiona: ‘O que o faz pensar que eu não seria capaz resolver sozinha?”

Este é apenas um dos vários momentos do filme que Joan mostra o preconceito que as mulheres sofrem. Sua saga, durante o filme, é não poder trabalhar em um lugar com homens, não ser casada com 25 anos e por isso quase ser obrigada a largar o emprego.

Em outro momento do filme, ao ser gentil com os colegas de Alan, o personagem principal pergunta porque ela se esforça para que os outros gostem dela. Joan prontamente responde que, por ser mulher trabalhando com homens, não é lhe dado o direito de ser uma ‘cretina’. A cena ao mesmo tempo que questiona o temperamento de Alan, também mostra como o próprio comportamento das mulheres está associado com o que é preciso ser feito para sobreviver em um mundo machista.

Por mais que o filme não passe no teste Benchdel (não existem mais de duas mulheres com nomes na trama falando de um assunto que não sejam homens), acredito que muitas questões feministas podem ser abordados durante ele.

Mas nem por isso, ele deixa de ser sexista em alguns momentos. Mesmo a inteligência de Joan sendo enaltecida durante a trama, poucas vezes a personagem é vista trabalhando durante o filme. Na maioria das vezes ela aparece para dar conselhos sobre como viver em sociedade para o amigo ou agir como uma secretária do mesmo, sendo que na vida real seu papel durante a guerra foi muito mais importante. Gostaria de ver um filme que falasse sobre Joan, para conhecer mais sobre essa mente brilhante que trabalhava lado a lado de Alan Turing.

Menção honrosa: O novo promotor galã de ‘The Good Wife’ está no filme ❤ Qualquer ator dessa série maravilhosa merece meu amor eterno.

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