E o 15 de março?

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Já faz uma semana desde que ocorreram os manifestações em todo o país pedindo o impeachment da presidente e eu ainda estou tentando digerir tudo o que aconteceu antes e depois daquele dia. A sensação é que eu voltei ao segundo turno das eleições, onde o Brasil estava dividido entre dois lados que, ao meu ver, são mais iguais do que diferentes.

Eu nunca me identifiquei com os partidos de direita e muito menos com suas causas políticas, que não considero pior ou melhor do que as da esquerda, mas com enfoques que não são os que compartilho. Então, é fácil ignorar os pensamentos que considero equivocados saindo das pessoas que tendem mais para o lado da ‘direita’. O que realmente me incomoda é ver os ‘companheiros’ da esquerda agindo de uma maneira que beira ao fascismo. Não sou ingênua de achar que o PT ainda é o símbolo da ‘esquerda’ como foi no passado, até porque já vi como as causas sociais e de minorias são usadas como forma de barganha, seja na eleição, seja em busca da tal governabilidade. Porém, é difícil ver esses discursos que considero também equivocados vindo de pessoas que lutam por causas tão semelhantes a minha e que muitas vezes estimo. Agindo como aqueles que tanto criticam. Usando de armas que não concordo por fins que não são mais os mesmos. É aquele briga do poder pelo poder, disfarçada de poder pela causa.

Acho que a melhor analise que li deste momento foi a feita pela Eliane Brum, que parece ter tirado do meu peito todas as angustias que sinto. Sou filha de militantes do PT, e todos os sentimentos de desesperança ao ver o que o partido (e muitos de seus apoiadores) se transformaram e o tipo de discurso de depreciação ao outro que utilizam para desqualificar qualquer tipo de debate, em vez de tentar argumentar através do embate de ideias.

Para mim, colocar a culpa da ‘mídia golpista’ e na ‘elite’ não é uma forma de resolver nenhum problema. Não abre espaço para discutirmos sobre as péssimas políticas ambientais no país, a necessidade de renovação de paradigmas sociais, políticos e econômicos. Não propõe soluções. Não faz a mea culpa das sucessiva decisões equivocadas nos últimos 12 anos. Acredito que ignorar e minimizar uma crise que existe e é palpável é querer subjugar a população.

Não concordo com o impeachment e não quero a volta da ditadura militar. Isso é uma coisa que não pactuo e não aceito, ambas as coisas só iriam, ao meu ver, piorar a situação do Brasil interna e externamente. Principalmente uma Ditadura, que é algo inaceitável de ocorrer. Mas me incomoda muito mais a forma como os apoiadores a presidente utilizam para discutir. Existem tantas forma de desconstruir argumentos para a impeachment e para a ditadura que não precisa ser a desconstrução da pessoa que utiliza esses argumento, então porque enveredar por esse lado? Porque querer reproduzir um discurso de ódio? Como se diferenciar daqueles que produzem discursos de ódio contra a Dilma se o discurso que é feito para defende-la é um discurso também que incita o ódio e a polarização do país.

Se as manifestações de 2013 deram uma sensação de vitória, a situação atual é totalmente diferente. A sensação que eu tenho é que perdemos todos neste dia 15 de março. Esquerda, direita, centro, população, políticos profissionais, ribeirinho, quem gosta de política, quem não gosta, as pessoas da cidade, as comunidades tradicionais que vivem na floresta, todos. Nos últimos dias estou tentando digerir essa sensação de que perdemos o rumo e tentando não me desesperar com esse sentimento, mas tentar utilizar ele como combustível para encontrar soluções para a atual conjuntura do país e como eu, na minha individualidade e capacidade, posso fazer alguma (mesmo que pequena) diferença.

Acho que o sentimento é um pouco esse que fica.

Foto pelo meu querido amigo e super talentoso fotógrafo acreano, Alexandre Noronha.

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