Por um Dia das Mulheres mais feminista

Acho que o que mais tem na minha timeline (que é bem feminista) é gente defendendo porque devemos falar sobre o empoderamento da mulher no dia 8 de março em vez de apenas dar chocolates e flores. Não me entendam mal, eu adoro chocolates (flores nem tanto), mas eu endosso o caldo de que nesta data nós temos que refletir sobre as questões de gênero.

Afinal de contas, esse dia nasceu por causa de muita luta. Ninguém colocou essa data no calendário porque achava as mulheres bonitinhas, mas porque nós batalhamos para sermos vistas como seres humanos independentes que precisam de respeito e igualdade. E continuamos lutando até hoje, apesar de todos os dias termos nossos direitos invadidos, suprimidos e negados em todo o mundo.

Então, neste Dia da Mulher, eu gostaria que todos nós pensássemos um pouco sobre o feminismo. Por causa disso, eu coloco aqui um vídeo sensacional da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, entitulado ‘Nós Deveríamos Todos Ser Feministas‘. Acho que ela consegue sintetizar bem minha relação com o feminismo.

Como feminista assumida, eu sei bem como muitas pessoas (homens e mulheres) torcem o nariz quando escutam essa palavra. Como se feminista fosse um ET maligno pronto para acabar com a vida dos homens, esses pobres seres indefesos que nunca fazem nada de errado e estão sendo injustamente acusados de serem monstro, mesmo os dados de estupros, violência doméstica e feminicídios serem tão grandes em todo o mundo.

Não somos ETs, é sério. Só refletimos sobre o mundo a nossa volta em uma outra ótica: aquela de que a mulher deve ser respeitada e ter direitos e oportunidades iguais na nossa sociedade.

E eu acho engraçado que até no Dia das Mulheres as pessoas estejam opinando sobre o que nós podemos ou não falar. “Ah, lá vai aquela feminista chata falar sobre luta e opressão”. O que? Nem no meu dia eu posso falar o que eu quiser sem ninguém me encher o saco?

Eu não sei ao certo quando me ‘tornei feminista’, a verdade é que sempre me incomodou muito a expressão ‘isso é coisa de homem’ e nunca aceitei isso como um argumento válido para nada. Quando criança, eu queria brincar de Cavaleiros do Zodíaco e odiava sempre que me colocavam para ser a Atenas, porque ela nunca fazia nada e eu queria lutar com os outros meninos. Mas só tinha uma personagem feminina em todo o desenho que lutava, então nem sempre eu conseguia ela. Fora que, pelo simples fato de querer brincar de luta, eu já não era muito bem vista. ‘Essas aí só quer brincar com menino’.

Quando adolescente, eu me recusava a arrumar a cama do meu irmão mais novo, porque ele já tinha idade para fazer isso e nunca aceitava a desculpa ‘mas ele é homem, não tem esse cuidado’. (para quem interessar, hoje em dia meu irmão arruma a cama melhor do que eu). Odiava jogar vídeo game porque nunca tinham personagens femininas que eu me identificasse. Não suportava as mocinhas dos filmes de ação, mas adorava as pancadarias nos mesmos.

Não lembro exatamente quando a palavra feminista virou parte do meu vocabulários, mas assim que a descobri comecei a usá-la. Eu sabia que era aquilo. Ela expressava todas as angustias que sentia quando mais nova.

Para mim, o feminismo é uma libertação. E eu gostaria que ele libertasse todas as mulheres, para que não existam mais histórias de mulheres sendo humilhadas. Eu quero um mundo em que nós sejamos reconhecidas pela força, e não apenas pela beleza. Que as responsabilidades sejam partilhadas igualmente, e não que nós acumulemos funções. Que possamos ser livres sexualmente, sem o julgamento de sermos vistas como ‘rodadas’ ou ‘putas’. Que sejamos respeitadas. A luta é grande e não para por aqui.

Este é um dia de renovar as forças, porque a briga por respeito é diária e está sempre ameaçada. Ninguém gosta de perder privilégios e o que não falta são tentativas para diminuir os nossos direitos, tem várias leis escrotas no congresso pra provar isso.

Eu sou feminista e uso esse dia para pensar em todos os momentos em que fui machista e como posso fazer para melhorar, porque o machismo é algo internalizado na sociedade, então todos nós temos, vez ou outra, ações machistas. E está tudo bem escorregar às vezes, nós só precisamos nos policiar. O feminismos é um exercício diário. E o 8 de março é um dia de reflexão, por isso, deixo aqui alguns textos para quem quiser refletir um pouco mais sobre essa data.

Beyoncé e Chimamanda Ngozi: Todos deveríamos ser feministas

O feminismo nosso de cada dia

Dia das mulheres? De quais mulheres?

Dia Internacional da Mulher – A pergunta prevalece: comemorar o quê?

As guerreiras cansadas do 8 de março

Cheguem mais perto do feminismo: Nadia Lapa at TEDxECC

Porque precisamos falar sobre o Dia das Mulheres

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2 respostas para “Por um Dia das Mulheres mais feminista”

  1. Olá Veris!!! Adorei o seu texto! Acredito que todas nós, mulheres, já sentimos na pele o que é viver em uma sociedade machista, que nos leva a despertar a feminista dentro de nós, ainda que não usemos essa palavra.
    Obrigada pela a sua referência ao texto do meu blog. Fico feliz que gostou.
    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

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